A culpa é do cabeludo.

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4 e 22 da manhã. É madrugada, mas não ali. Cercado por quatro loiras, Eduardo domina a pista, com suas trancinhas balançando no ritmo do tum-ti-tum. De repente, sente um cutucão em seu ombro e já vira dando um beijo, achando ser a quinta loira que estava esperando.

- Que isso, Eduardo, tu tá maluco, porra?

- Caralho, Renato, foi mal, irmão. Achei que fosse a Janaína.

- Deu merda, cara. Deu merda.

- Qual foi?

- Deu merda com o Jóbson, vamos lá!

- Puta que pariu, o muleque fez merda, é? Agora não dá, tô com as minas aí. Cadê o Lagosta? Ele conhece todo mundo aqui também.

- O Lagosta tá doidão lá embaixo, louco pra pegar alguém.

- Porra, então manda ele subir, tô cheio de mulher aqui.

- Não, ele quer pegar alguém na porrada.

Eduardo dá um beijo em cada loira e avisa que já volta. Os dois saem da pista e vão direto para o bar. Nessas horas, só um uísque para dar uma relaxada. No caminho, passam pelo sofá onde Gabriel está apagado. Após duas tentativas frustradas de acordar o “juvenil”, seguem para o bar, onde encontram Michael apoiado na bancada, com dois copos de redbull com vodka na mão.

-  Michael, você que não jogou, hoje, não treinou hoje e chegou cedo aí, sabe o que rolou com o Jóbson? – pergunta Eduardo.

- A única coisa que eu vi é ele com o cabeludo por aí.

- Caralho, com o cabeludo? Mas ele não teve jogo no sul hoje? Como é que já tá de volta?

Essa era fácil. Antes mesmo de Michael responder, Eduardo e Renato já tinham se dado conta que o cabeludo voltara no jatinho que seu companheiro de time, o artilheiro-surfista, tinha alugado. E a presença do cabeludo preocupava, porque era sabido que o jogador era louco para prejudicar o seu ex-clube. Sua tática era levar os mais novos para a Baronetti e oferecer o, digamos, pó-de-arroz a eles. Foi assim com o da Trancinha, com o Juvenil e com o Alexandro Créu, que só não estava ali naquela noite porque tinha ido para a Nuth com o Baixinho.

A procura de Renato e Eduardo por Jóbson continuava. Enquanto isso, na pista, o Lagosta espancava três. Parecia, enfim, ter achado um esporte adequado para seu porte físico. No mesmo momento, quem adentrava a boite era Jônatas, que estava atrasado como sempre, porque não gosta de correr. De camisa social com as golas levantadas, passou sem falar com ninguém.

E nada do Jóbson. Até que, de repente, Renato e Eduardo são interrompidos por um sujeito alto, forte, sem camisa e cercado por doze loiras.

- Ou vocês tiram o muleque dali ou o pessoal da Vila Cruzeiro vai pegar vocês. – disse ele, apontando para um grupo, onde podia se ver um cara de moicano, um outro mais escuro que também já passou por General Severiano e um terceiro, mais cheinho, que tinha um acarajé numa mão e uma cerveja na outra.

Quando os dois olharam com atenção, viram que logo atrás do grupo, estava Jóbson. Ele fazia movimentos esquisitos, na frente de um baixinho, magrinho, que deve achar que é forte pois estava sem camisa. Pura marra.

Enquanto Eduardo foi ao bar pegar mais umazinha, Renato se aproximou dos dois. Chegando perto, percebeu que o que Jóbson fazia era uma espécie de drible de corpo. Depois, gritava “Maicosueeeeeel” e caía na gargalhada. E repetia tudo de novo, sem parar, deixando o marrentinho cada vez mais puto.

Nesse momento, Renato teve duas certezas. A primeira era que Jóbson tinha virado Botafoguense. A segunda, que tinha caído no golpe do cabeludo. Pensou em colocar o garoto no seu carro e levá-lo embora dali, mas logo lembrou que perdera sua carteira na Lei Seca. Acabou indo tomar mais uma pra esfriar a cabeça.

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segunda-feira, janeiro 4th, 2010 Guilherme Figueira

Nenhum Comentário to A culpa é do cabeludo.

  1. Muito bom!!! Excelente!!! E a Baronetti continua bombando, e a culpa é do Cabeludo!!

  2. Marc Guerin - 4 de janeiro de 2010
  3. Gênio!
    Tu es gênio!

  4. Lucas Habib - 4 de janeiro de 2010
  5. Espetacular! Sensacional…

  6. Marcelo Andrade Figueira - 4 de janeiro de 2010
  7. Maicosueeeeeel auuahuahuauahauhauuahuah

  8. Zobaran - 5 de janeiro de 2010

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