O dono da bola

eike1Motivado pelo recente debate criado pelo post do Guilherme, “De fechar o aeroporto…“, em que ele cita o Eike Batista como a solução para trazer o Kaká pro Glorioso, resolvi escrever este post. Já havia visto, rodando pelas redes sociais da internet, que muitos acreditam que o Eike, bilionário declaradamente alvinegro, deveria investir no Botafogo e etc.

Sou partidário da ideia de que os times brasileiros deveriam ter “donos”. E nada mais próprio que o Eike Batista ser o “dono” do Botafogo. Mas, existem muitas variáveis nessa equação, principalmente a de que um cara como o Eike não ficou bilionário a toa e durante sua carreira, soube muito bem separar a razão da emoção. Investir no Botafogo hoje não é nada rentável. Temos uma torcida que praticamente não gera receitas, um estádio mal explorado, que vive as moscas (míseros 2000 torcedores hoje), um time titular frágil, que não  inspira nenhuma confiança e uma base que não revela ninguém, e quando revela, não leva nada em cima. Enfim, nada que atrairía um investidor em sã consciência..

abraVoltando ao debate do post anterior, existe um antes e um depois da aquisição do Chelsea FC por parte de Roman Abramovich. Em 2003 o magnata Russo adquiria o clube por 710 milhões de Libras (1,8 bilhões de Reais). Mas ele não simplesmente comprou o clube. Utilizando-se de artimanhas financeiras, ele “emprestou” esse valor ao Chelsea, passando então a fazer parte da dívida do clube . Em Fevereiro de 2009 Abramovich transformou metade desse empréstimo sem juros em capitais próprios e em Dezembro  do ano passado deu o mesmo destino ao restante. Com isso o Chelsea ficou sem dívidas e Abramovich selou o compromisso com os torcedores do clube de não usar o clube para aumentar sua fortuna pessoal, atualmente avaliada em 8,4 bilhões de Euros. O Chelsea continua fechando o ano no vermelho, mas esse número, principalmente devido aos custos de aquisições de jogadores e pagamento de indenizações (Mourinho e Felipão levaram cerca de 40 milhões de Euros),  diminui a cada ano. 6 anos depois, Abramovich recuperou seu investimento, diminuiu seu prejuízo e ainda está a frente de um time que disputa títulos nacionais e internacionais. Sem dívidas, o clube espera ter receitas positivas em 2010, e finalmente Abramovich vai ver a cor do dinheiro.

Enfim, ele pegou um clube mergulhado em dívidas, com prejuízos anuais de mais de 140 milhões de Libras (370 milhões de Reais), e o transformou na maquina que é hoje. Um investimento arriscado, mas que no final deu retorno. Agora só nos resta sonhar que o Eike já tenha tanto sobrando, pra que ele possa arriscar um pouco como seu camarada russo.

Sonho meu…

Saudações

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quinta-feira, março 11th, 2010 Marc Guerin

7 Comentários to O dono da bola

  1. Sou contra empresário ser dono de clube de futebol. O clube pertence a sua torcida. O verdadeiro clube tem que ter todas as suas receitas oriundas direta ou indiretamente da participação de sua torcida. Senão, vira clube privado, pertencente apenas a uma pessoa ou a sócios. Fala sério! Todavia, lí em um dos sites alvi-negros da internet que o Eike Batista, oitava riqueza do planeta e botafoguense “roxo”, fará a longo prazo – os estudos e tratativas estão em andamento – aquilo que considero fundamental prá meu BOTAFGO e que pode alavancar sua trajetória vitoriosa: a compra do Engenhão e terrenos que o circundam, cedendo, depois, a PROPRIEDADE do Estádio ao Glorioso. Assim, a médio ou longo prazo (dentro de três ou quatro anos) o BOTAFOGO pode passar de CONCESSONÁRIO A PROPRIETÁRIO. Isso é simplesmente auspicioso, pois uma coisa é vc ter a posse de algo que não é seu, pagando uma taxa (tipo aluguel) prá usá-lo. Outra é vc ser dono, ser proprietário, podendo desse bem extrair dinheiro, que vai todo prá seu bolso. Sem falar dos ganhos indiretos que isso traz, como uma baita injeção de orgulho e motivação em todos dentro do Clube, do respeito do meio esportivo, como um todo, e da atração exercida sobre patrocinadores e parceiros. Há magníficos ganhos diretos e indiretos. Por enquanto, o BOTAFOGO é apenas concessionário, com todas as implicações que isso signica, mormente em se tratando de Rio de Janeiro e seu meio futebolístico: percebe-se claramente que os outros clubes, por exemplo, com suas práticas e atitudes, consideram o Engenhão um Estádio pertencente ao Rio, e apenas administrado pelo Glorioso. Isso fica muito claro, especialmente agora que o Maracanâ será fechado para reformas visando à Copa/2014. O BOTAFOGO ganhará uma “merreca” como contrapartida da cessão do Estádio ao Fla e Flu, para seus jogos.

  2. Leandro Guerrera - 12 de março de 2010
  3. Eu nunca tiha ouvido falar nessa ajuda do Eike pra comprar o Engenhão. Toda ajuda é bem-vinda, mas não acho que essa deveria ser a prioridade do clube. Com certeza custará muito dinheiro comprar o Engenhão e acho que o dinheiro deveria ser investido em outras frentes, como: construção de um CT de primeira e moderno (que custará cerca de R$15Mi segundo o nosso presidente), investir MUITO na divisão de base (e com dinheiro não permitir que os melhores jogadores se vendam pra empresários), a compra de um jogador de seleção que leve a torcida ao estádio e traga novos torcedores para o Fogão! e pagamento de dívidas. Atualmente o Engenhão é nosso por 20 anos e até a concessão do estádio vencer já poderemos ter um clube reerguido e quem sabe com faturamento pra comprar o Engenhão ou até mesmo construir um estádio novo!

    “Sou contra empresário ser dono de clube de futebol. O clube pertence a sua torcida. O verdadeiro clube tem que ter todas as suas receitas oriundas direta ou indiretamente da participação de sua torcida. Senão, vira clube privado, pertencente apenas a uma pessoa ou a sócios.” -> Pra mim hoje não é muito diferente disso. E no caso do Eike, ele ser dono do Botafogo, seria diferente, pois sendo Botafogo “roxo” ele poderia REALMENTE ajudar o clube, já que de dinheiro ele não precisa.

    Esperançoso por dia melhores!
    Abraçøs

  4. Gustavo Hallal - 12 de março de 2010
  5. Com todo respeito, o sugerido no post é um verdadeiro absurdo. Vc não quer só vender o Botafogo – que nunca será vendido, nunca – como até já elegeu o dono. Vc é sócio do Botafogo? contribui todo mês para o Clube. Quanto vc ganhará de comissão!? tem um caso com o Eike? é isso que parece… foi mal.. nâo parece que foi um botafoguense que escreveu isso, é a impressão.

    Os times espanhóis não tem dono, e sim sócios. O que acontece, é que para ser presidente de um clube como o Barcelona, o candidato tem que ter um patrimônio mínimo, pois se fizer besteira, vão em cima dele.

    Aqui, ao contrário, até um dentista de Nova Friburgo, que faz MBA de marketing Esportivo, pode ser presidente. está certo? na minha opinião não.

    Mas vender o Botafogo… isso nunca!

  6. Pedro de Meira Mattos - 12 de março de 2010
  7. Se me permitem o direito de defesa, nunca disse que queria vender o Botafogo! Apenas relatei o que muito se ouve por ai sobre o Eike e o associei a um caso de sucesso, como o do Chelsea. Tanto que a palavra dono está entre aspas. Por “dono” eu quis dizer alguém que entre com dinheiro, atrás de um investimento (obviamente esperando retorno), ou melhor dizendo, um sócio majoritário.

    O problema é encarar esse dono como uma pessoa que manda e desmanda no clube. Não é bem assim. O Chelsea tem diretor executivo, tem conselho executivo, e tudo é decidido democratimente, com a participação dos sócios. E é assim em muitos clubes na Europa. Assim também são os milionários times de basquete e futebol americano. Até porque muitos deles tem acionistas e aí o buraco é mais embaixo!

    O Abramovich trouxe com ele (além da fortuna) credibilidade de mercado, algo que falta no futebol Brasileiro. O Florentino Lopez contratou o Kaká e o Cristiano Ronaldo, com empréstimos junto ao Banco Santander, pois tem um histórico de sucesso frente ao mercado financeiro espanhol. Agora imagina o nosso presidente, batendo na porta de um Itaú dizendo: “Olá, sou o Mauricio, presidente do Botafogo, dentista. Me empresta R$200 milhões pra contratar o Fahel, o Léo Silva e o Lagosta?”. É de dar risada… Mas esse sim, manda e desmanda no clube, e não colocou nenhum tostão.

    E Pedro, pra matar sua curiosidade, sou Botafoguense sim e vou ganhar de comissão com isso, ver meu time ser um dos maiores do Brasil e quem sabe um dia, do mundo!

    Saudações

  8. Marc Guerin - 12 de março de 2010
  9. Insisto que o BOTAFOGO tem que pertencer à sua torcida, a seus sócios, e não a um empresário. Sempre achei que o GLORIOSO tem que mirar no BARCELONA. Para mim, o BARÇA é o parâmetro. Tem 150.000 sócios, pagando regiamente suas mensalidades. Com essa fortuna arrecada por mês e mais os licenciamentos, a tv e outras fontes que não os patrocínios – que são proibidos pelo seu Estatuto – está entre os cinco clubes mais ricos do mundo. E não pára de ganhar títulos. Imagine o BOTAFOGO com 40.000 sócios pagando, digamos, R$ 50,00 mensais. São R$ 2.000.000,00 mensais arrecadados. O suficiente prá pagar sua folha de pagamentos. O resto que vier (cota de tv, licenciamentos, patrocínio [vá lá!]) é lucro. E que lucro! Agora, tem que ter contrapartida, e não migalhas. Tem que dar gratuidade nos jogos em que o Fogão for mandante. E outros brindes. Senão não dá certo. Por isso, acho que o único acerto dessa atual Diretoria, até agora, é o programa SOU-BOTAFOGO. Só que foi feito de maneira atabalhoada, num momento de entresafra, em que a torcida não tem confiança no time e no Clube. Não achei o momento propício. E não houve uma campanha de convencimento, que é muito importante numa empreitada como essa. Uma campanha de conscientizar a torcida da importância de sua ajuda e participação nesse projeto.

  10. Leandro Guerrera - 12 de março de 2010
  11. o Botafogo precisa de um patrocinador que acredite nele, e não um, que se aproveita do time estar na final pra fechar apenas 1 jogo, a diretoria pedir pelo amor de Deus, dar outro de graça e ai fecharem pra final do Estadual.

    quando a 7 up estampou a nossa camisa, virou o refrigerante de limão mais consumido no Rio à época, embora tivesse um nome “dificil”de pronunciar pros padrões brasileiros e nunca tivesse sido vendida por essas bandas.

    isso demonstra a força de nossa torcida.

    eu pergunto quando a tradicional família de banqueiros cariocas que se dizem botafoguenses acreditou e investiu em nosso time?

    pelo contràrio, um de seus declara que tem saudade de Caio Martins – tive ótimos mmomentos lá, mas não vem ao caso – que era o pior estàdio da 2a. divisão quando passeamos por lá, que o Municipio daquela cidade trocou de nome pra botar de um jogador do Lixo… sim, impressionante, isso aconteceu e na época que jogávamos lá… do que o Engenhão, que é estádio mais moderno da américa latina, embora lamentavelmente seja péssimamente administrado.

    o Eike falou uma vez que só liga a TV pra ver jogo do Botafogo e ver Blomberg. cade uma empresa dele com o logotipo em nosso uniforme?

    o presidente do time das laranjeiras já disse um tril’~ao de vezes que patrocinar aquele timeco lhe rende milhões.

    o da gávea quebrou contrato com a Nike, maior marca esportiva do mundo, pegou uma nacional e ganha bem mais.

    é incrivel a falta de competência das nossas Diretorias – e isso não é de agora – para arrumar um patrocinador.

    nada de vender. é arrumar a casa

  12. Pedro de Meira Mattos - 12 de março de 2010
  13. Boa! Felizmente chegamos a um consenso e esse é de que todos nós queremos ajudar o Botafogo. Isso é a Aliança Alvinegra!

    Saudações a todos e pra cima do Olaria!

  14. Marc Guerin - 12 de março de 2010

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