O preço de um grito preso.
Há cerca de um mês, saiu uma pesquisa do Lance/Ibope sobre as torcidas. Está certo que nunca confio dessas pesquisas, mas nessa última, desconfianças à parte, uma coisa me preocupou. Antes de falar da preocupação, uma panorama geral: segundo à pesquisa, temos a 12ª maior torcida do Brasil, ao lado de bahia e fluminense, com 3,1 milhões de torcedores (ou 1,6%). Outra curiosidade é que, proporcionamente, somos à torcida com maior rejeição do país. Deve mesmo dar raiva não ter sido escolhido para torcer pelo Glorioso.
Agora, voltemos à minha preocupação. Segundo à pesquisa, a torcida do Botafogo é, também proporcionalmente, a mais envelhecida. Em consequência, tem o menor número de torcedores entre 10 e 15 anos de idade dentre as vinte maiores torcidas do país. Vide gráfico abaixo.

Para cada 10 torcedores com mais de 50 anos, temos 1 entre 10 e 15 anos. Essa proporção indicada pela pesquisa parece se confirmar quando olhamos para os lados no Engenhão ou quando nos perguntamos porquê a torcida não vai ao estádio. Assim que essa diretoria assumiu, o ex-Vice de Comunicação, Paulo Mendes, me disse que essa era uma enorme preocupação: onde estava a Cachorrada? A primeira hipótese era justamente o envelhecimento dela.
Constatado o problema, as soluções são duas. Na parte de Marketing, a atuação do clube tem sido ótima, com belos projetos como a volta do Feijão no Fogão e o constante lançamento de camisas comemorativas. Sem contar que temos grandes “produtos” no clube que, se bem trabalhados, podem se tornar ídolos (se é que já não se tornaram): o gringo guerreiro (Herrera); o maior artilheiro dessa Copa (El Loco); o prata da casa (Caio); o Mago (Maicosuel); o exemplo de volta por cima (Jóbson); e Deus (Deus).
Só que, por melhor que seja o marketing, ele não basta. O principal mesmo é ganhar títulos. Tenho muitos amigos da minha idade, 25, que torcem pelo Glorioso. Por quê? Porque vimos, em dez anos, o emocionante fim do jejum de 21 anos, um brasileiro, uma teresa herrera, uma conmebol, um rio-são paulo, 3 títulos estaduais e uma final de brasileiro e outra de copa do brasil, que perdemos. Mas chegamos. Agora fico pensando nos nossos torcedores de 10, 15 anos que viram o rebaixamento, o time do quase (que acabou não ganhando nada), um traumático tri-vice e o episódio do chororô, que virou chacota. O que será que eles pensam quando olham para o coleguinha, que é o atual campeão brasileiro, ou para a coleguinha, cujo time chegou em duas finais de campeonatos continentais? Está certo que eles viram dois títulos estaduais, mas é pouco.
Pensar grande e conquistar títulos grandes. Eis a receita para, mais do que um presente, um futuro Glorioso.
Esse grito de campeão continua entalado. E estamos pagando por ele.




Ganhar títulos com certeza é fundamental! Mas também podemos ir na contra-mão do governo e incentivar a todos os torcedores do Botafogo a ter 8 filhos cada um! Se 7 forem Botafogo, teremos uma enorme torcida em 2050!!!