As emoções ratificam Abreu
Texto bem legal de Marcus Alves publicado no site da ESPN sobre o W. S. Abreu G.:
Tenho muito pouco apreço por pessoas certinhas. Dessas que acham que a vida acaba aos 25. Que o que resta a elas é se juntar a alguém e por ali ficar, com uma rotina regrada, até o fim dos dias. Em alguns casos, vá lá, é justificável, tem algo por trás de tudo aquilo, mas, em boa parte, é pura questão de comodidade, conformismo. Não dá para entender. Mas cada um sabe o que é melhor para si.
Sebastián Abreu é desses que casou cedo. Poderia estar por aí, jogando num Danubio, Defensor da vida e perto de sua família. Não é o caso. Preferiu rodar o mundo. Foram 17 clubes em não sei quantos anos de carreira. Alguns países conhecidos. Sempre com mulher e filhos a tiracolo. Ele garante. Nunca tiveram problema de adaptação. Que bom. Puderam testemunhar de perto algumas de suas loucuras.
Sim, porque as aparências enganam. Abreu não é desse tipo que parte para o matrimônio ainda jovem e abre mão de alguma dose de emoção em seu dia-a-dia. Ele, não. O atacante tem no futebol o refúgio para essas coisas. Ali, dentro de campo, se sente muito à vontade. É terreno conhecido. Sabe onde pisa. Não estranha em nada tudo aquilo.
Daí vem tamanha confiança para fazer o que fez em gramados sul-africanos. Um totózinho no pênalti final, que garantiu o Uruguai nas semis da Copa. Aquilo é talento. Mais do que isso. É coragem.
Algo que nunca faltou a Abreu. Ele tem total noção do que representou o jogo contra Gana. Drama? Alguns podem dizer que sim. O bom e velho Sebastián, não. Ele já viveu um de perto. Pode falar melhor do que ninguém.
Em 2002, sofreu um acidente com a sua caminhonete. Passou três ou quatro dias em recuperação. O amigo que o acompanhava morreu. Algum tempo depois, em entrevista sobre a tragédia, honrou a sua fama de louco. “Volta e meia, esse filme passa pela minha cabeça. Foi e é muito difícil. Porque isso são os dramas de verdade, não uma partida. Mas eu encaro as tragédias com uma moral altíssima. A dor ratifica o meu ser”, disse.
Abreu não está por aqui de passagem. Quer viver as emoções da vida. A família está sempre em primeiro lugar, mas não teme se arriscar. Não ele. Fez o que fez porque a ousadia também corrobora o seu ser, sabe disso. Não faz da área o seu segundo lar à toa. É um tsunami. Um tsunami da área, como se autointitula.



Maravilhoso texto, sobre um ser humano igualmente maravilhoso
Obrigado pelo belo post
Abraços
El Loco é sem dúvida um personagem do futebol. Tamanha personalidade e autenticidade só poderiam trazê-lo ao Botafogo. Personalidade é uma característica cada vez mais rara entre jogadores de futebol. Vejo hoje como foi certeira a contratação do Loco, esta jóia rara do futebol mundial ! EL LOCO É DO FOGÃO !!!! Como disse o LG : “somos urugiaous desde criancinha…”