Direitos Televisivos

Ao que parece, a relação Clube dos 13 – Globo caminha para uma mudança. Ao invés de negociação de um pacote único de transmissão (TV aberta, TV fechada, pay-per-view e internet num bolo só), a tendência é que, a partir de 2012 sejam dadas oportunidades a Record, Band, ESPN Brasil, TIM, Vivo, etc.

A informação é do Fernando Fleury, blogueiro do site da ESPN. Confira a matéria publicada hoje:

Passo Importante para Reestruturação Televisiva

Quem acompanha meu blog sabe que uma das coisas que mais critico no futebol brasileiro atual é com relação ao direito de transmissão. Além de mal negociados, gerando pouca receita para os clubes, minha principal critica é com relação ao fato de que a venda é feita num único pacote ao invés de ser leiloado por blocos.

O que isso significa? Simples, ao invés de se vender os direitos de transmissão para canal fechado, aberto, pay-per-view e etc. para uma única entidade que dá um lance X, o C13 deveria montar pacotes diferenciados, permitindo a participação de outras emissoras e, até mesmo, de outros interessados em possíveis direitos de imagem.

Mas eis que surge uma luz no fim do túnel. O presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, sinalizou que os clubes estão dispostos a mudar a forma de negociação deste contrato. Se isso acontecer podemos estar presenciando o fim do monopólio da Globo neste quesito.

Não existe uma posição oficial do C13, mas uma comissão liderada por Belluzzo, presidente do Palmeiras, está analisando diversas possibilidades, porém qualquer alteração só será válida a partir de 2012, data do inicio do novo contrato, e só poderá ser feita com o aval da maioria dos clubes. Pelo menos até o momento não está sendo pensando o rompimento das negociações em bloco, ou seja, os clubes ainda pretendem negociar como bloco único. (Assim como na maioria dos países europeus, exceção feita à Espanha – sugiro a leitura do post : Os valores dos direitos de transmissão pelo mundo , onde fala sobre o assunto)

Atualmente a Rede Globo detém os direitos de transmissão exclusivos por todos os meios de mídia (TV aberta, fechada, pay-per-view, internet e celular) por algo em torno de R$ 600 Milhões por temporada para ser divido entre os clubes.

E vale apena mudar o sistema?

Entendo que sim, porém entendo que a venda individual seria prejudicial aos clubes de menor expressão e por isso manteria a venda como bloco único, porém a abertura de pacotes possibilitará a entrada de outros players no jogo e isso pode ajudar a fazer o valor do contrato subir.

No caso da TV aberta a briga entre Globo e Record pode gerar um aumento substancial no valor do contrato. Existe receio por parte dos clubes em transferir os direitos para a emissora paulista devido à expertise da emissora carioca nas transmissões que a coloca entre uma das melhores do mundo.

Na TV fechada a briga também promete ser boa, inclusive com a possibilidade de divisão entre diversos grupos. Neste caso podemos ter a Globo (com a SporTV, a ESPN, Record – que poderia lançar um novo canal só para isso e até mesmo a Band.

Os serviços para internet e celular também prometem uma luta interessante, pois além das principais emissoras – que naturalmente teriam interesse – temos a entrada de grandes portais de conteúdos no jogo, que pode acirrar a briga pelos direitos. E no caso do celular as próprias operadoras de telefonia móvel devem se interessar pelo assunto.

Mas a vedete desta mudança deverá ser mesmo o pay-per-view. Segundo números apresentados pela Globo o sistema a La Carte conta hoje com 800 mil pessoas, mas a tendência de crescimento, principalmente se trabalhado de maneira individual nos clubes, é de pelo menos 100%. Como neste modelo o pagamento é feito de acordo com a entrada de novos assinantes os próprios clubes tem interesse no aumento do quadro. Aqui poderemos ter também uma abertura por clube, e não mais por bloco único, que permitiria cair o valor da mensalidade do sistema e tornaria cada clube responsável por garantir seu aumento de participação.

A princípio tudo isso ainda está no papel e as conversas nem começarem, mas só o fato dos clubes estarem preocupados com isso já é interessante.

Por fim, eu faria um único adendo aos contratos: obrigaria os vencedores a chamarem os estádios pelos nomes que os clubes exigirem (dando condições para a prática do naming right) e definiria a abertura angular das câmeras nas coletivas de imprensa de forma a explorar melhor os patrocinadores de cada clube.

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sexta-feira, setembro 3rd, 2010 Marcelo Figueira

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