Guilherme Figueira
O absurdo e o paradoxo.
Uma notícia, dois pontos de vista.
Nenhum deles positivo.
Primeiro, vamos falar do absurdo da medida. Se já não podíamos beber nossa cervejinha dentro do estádio, agora também não podemos fora. E, assim, o futebol se descola cada vez mais do conceito de entretenimento. E, assim, a política do choque de ordem vai vencendo a política de investir em educação, o que poderia tirar da bebida alcóolica a culpa pela violência nos estádios. E, assim, os moradores do entorno do Niltão vão deixando de ganhar seu dinheirinho extra em dias de jogos. E, assim, a vida vai perdendo poesia, porque era bonito ver centenas de grupos de amigos reunidos, batendo um papo e tomando sua cervejinha antes e depois dos jogos.
Agora, vamos falar do paradoxo da medida, se comparada a uma outra notícia, que saiu no mesmo dia. Segue:
Então quer dizer que, no mesmo dia em que a patrocinadora dos quatro grandes anuncia um incentivo (não discuto se o valor é alto ou não) aos clubes, a prefeitura trata logo de restringi-lo?
Uma notícia, dois pontos de vista negativos, quatro clubes lucrando menos e milhões de torcedores privados de seu prazer. Dá-lhe Brasil.
No lugar certo.
Jefferson pode até tardar, mas não falha. E agora, o infeliz (para ser suave no adjetivo) está no lugar certo, que nunca foi dentro de campo.
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Pá-pum do vai-e-vem.
Brinner: Não conheço.
Tanaka: Não conheço.
Muriqui: Não quero (é caro, não é tão novo e nunca me provou que é bom).
Fellype Gabriel: Não quero (não tem bom físico e também nunca me provou que é bom).
Andrezinho: Não quero (é mais ou menos, não chega pra assumir a 10).
Copete: Não conheço.
Jorge Wagner: Não quero (decandente e caro).
Lodeiro: Não conheço.
González: Não conheço.
Cristian Rodriguez: Não conheço.
Anderson Aquino: Não quero (se é banco do coritiba, não vai resolver aqui).
Rafael Oliveira: Não quero (quem?).
Júlio Cesar: Não quero (velho e bem mais ou menos).
De onde se conclui que:
2012: Não anima.
Oswaldo na beca.
E em breve, ao que tudo indica, Oswaldo de Oliveira estará vestindo o verdadeiro traje de gala. A camisa de técnico com o escudo mais bonito do mundo.
Contratação certeira. Autuori, se viesse, viria apenas em março. Tarde demais, até porque 2012 já começou. Então, foi o melhor nome. Oswaldo tem bom relacionamento com os jogadores e fala mansa, mas não é de perder o comando dos seus times. Taticamente, é um pouco mais defensivo do que seu antecessor, mas não chega a ser um retranqueiro confesso.
Mas o pré-requisito mais importante de todos, ele tem: é um técnico campeão. Brasileiro, mundial, estadual, japonês, de tudo que é tipo. Chega de técnico que é quase comandando um time que é quase.
Então, seja bem-vindo, Oswaldo. E nunca se esqueça do que dizem os primeros versos do nosso hino.
Botafogo, Botafogo, campeão desde 1907.
Pelo menos…
Não lutamos contra o rebaixamento.
Já estamos classificados para a Copa do Brasil e para a Sulamericana.
Jefferson tem tomado muitos gols e, quem sabe, o assédio dos outros clubes não diminui.
Vamos estar livres para acompanhar todas as emoções da última rodada, sem nos preocupar com o jogo do Botafogo.
Não vamos enfrentar o time das meninas com chances de título.
Vamos lucrar com a renda do jogo do bacalhau contra a mulambada no Niltão.
Não vamos ser obrigados a ver Alessandro, Felipe Menezes, Herrera e cia jogando uma libertadores com a Gloriosa camisa alvinegra.
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Esse post é uma tentativa mau-sucedida de humor negro.
Não existe nenhum ponto positivo nesse fim de ano vergonhoso.
A final de domingo.
Que Botafogo contra o patético-mg o quê. O grande jogo de domingo é qatar x omã.
E somos omã desde pequenininho, já que se essa nossa incrível seleção conseguir uma vitória ou empate, o qatar ficará sem chances de ir às olimpíadas.
Aí, meus amigos…
Latida: A Puma vem aí. Achei sensacional, muito melhor do que aquela outra empresa, que já forneceu uniformes pra mulambada. Afinal, quanto mais semelhanças com a seleção uruguaia, melhor.
Desacostume.
E em 2011, parecemos ter um déjà vu de 2007 e 2010. Mais uma vez, a carruagem vira abóbora, e transforma o conto de fadas em dura realidade. Esperança de título vira esperança de vaga na libertadores. E esperança de vaga na libertadores vira desesperança nua e crua. Esse ano, ainda não chegamos matematicamente a esse último estágio, mas é difícil crer numa guinada pelo que aconteceu nas últimas seis ou sete rodadas.
Diante dessa repetição de insucessos, fiquei me perguntando o porquê. Carma? Maldição? Mau-olhado? Ou serão infelizes coincidências do futebol, como os salários atrasados de 2007, as contusões em 2010 e as invenções de um técnico em 2011. Para mim, nada disso explica. Vejo por um outro viés. E se ele é mais duro, é também otimista. Para mim, os três fracassos, junto com outros, estão debaixos de um mesmo guarda-chuva. O Botafogo é um gigante, mas se desacostumou a ser grande. E esse Botafogo inclui time e torcida.
Ao se desacostumar a ser grande, o Botafogo deixou de ser time de chegada. E quando chega o dia D, bem na hora H, a coisa desanda. É aí que o relógio aponta as badaladas da meia-noite. Dentro de campo, os passes não encaixam, as bolas não tocam a rede e as barreiras de contenção já são mais intransponíveis. Nas arquibancadas, os gritos viram vaias, as faixas ficam de cabeça pra baixo e a multidão dá espaço ao vazio.
Que fique bem claro que esse desacostume não vem de agora. Ele é fruto de um período de 21 anos sem títulos, de uma década de 90 com altos e baixos e de um início de século ruim. A isso, soma-se uma sucessão de diretorias amadoras. Que fique bem claro também que esse desacostume não é uma daquelas coisas que só acontecem com o Botafogo. O inter e o santos, por exemplo, que hoje brigam por todos os títulos, tiveram uma década de 90 pior do que a nossa e só tornaram-se potências em meados da década passada.
Para reverter esse quadro, é fundamental ter criatividade e culhão. Criatividade na gestão para contratar, atrair receitas, revelar jogadores – porque a base é sine qua non para essa mudança de patamar. Culhão para decidir e, se por acaso não for na primeira vez, será na segunda, na terceira ou na décima. Mas o resultado virá. É a tal história da água mole em pedra dura. Vide aqui, no nosso campeonato regional, que tivemos que bater 3 vezes na pedra dura para que ela furasse na quarta. A grandeza não se faz em chegar uma vez e ganhar. Se faz em chegar sempre (ou quase sempre) e ganhar em algumas delas.
Estamos no caminho certo para chegar lá. Faltam ajustar algumas coisas, é claro. Não adianta mirar o último degrau, o título, e esquecer dos outros degraus que nos levam até lá, como a vaga no G4, a sulamericana e a copa do brasil. É passo-a-passo. Andamos alguns. Prova disso é que já somos uma equipe com um retrospecto louvável dentro de casa e com uma boa média de público. Porque essa relação é bilateral: quem está fora de campo puxa quem está dentro, e vice-versa.
Um amigo costuma dizer: life favours the bold. Traduzindo, seria algo como “a vida favorece os grandes, os fortes, os gigantes”. E somos absolutamente gigantes. É só você abrir o seu armário, olhar para aquela camisa alvinegra com o escudo mais bonito do mundo e ver o que ela faz com você.
Ah, e esse ano ainda não acabou. Quem sabe não subimos mais um degrau rumo ao lugar onde sempre estivemos?
#nóstemospaixão
Em mais uma iniciativa maravilhosa do marketing do Botafogo, foi lançado um concurso para torcedores fazerem vídeos com o tema “Tem que ter paixão”. Os melhores filmes serão exibidos no jogo de sábado, no Niltão.
Segue abaixo o vídeo que eu e o talentosíssimo Julio Marcello fizemos.
Por pura paixão.
Uma final e o balde de caranguejo.
Assim que são pescados em um mangue, caranguejos costumam ir parar, ainda vivos, dentro de um balde. Na tentativa de alcançar a borda do balde e assim conquistar a liberdade, os caranguejos sobem um em cima do outro. No entanto, quando um deles vai conseguir, tem sua perna puxada pelo outro, aquele mesmo que serviu de apoio. E, assim, nenhum deles consegue escapar e todos acabam na panela.
Antes do campeonato brasileiro começar, os quatro presidentes dos clubes do rio fizeram um acordo. Sem maracanã, os clássicos seriam todos disputados no Niltão, com renda e carga de ingressos sempre divididas igualmente. E assim foi feito no primeiro turno e durante quase todo o segundo. Até que veio um decisivo Botafogo x vasco e o presidente adversário resolveu rasgar sua palavra, que deveria valer mais do que qualquer papel assinado. Passando por cima da dignidade, honra e até da recomendação da polícia, tenta levar o jogo para o seu estádio. Um estádio menor e em estado precário, convenhamos. Mais do que isso, quer dar apenas 10% da carga de ingresso para o time adversário, o Botafogo. Para isso, baseia-se no estatuto do torcedor. É aquela história: quem não tem ética própria, tem sempre que terceirizá-la.
Moral da história:
Quem anda para o lado nunca vai andar para a frente.
Só que na lei da selva, manda o mais forte.
E um Cachorro será sempre maior do que qualquer caranguejo.




