Marcelo de A. Figueira
Sou Botafoguense e, como todos os outros, tive que aprender a sê-lo. E, por mais difícil que seja, aprendi muito bem. Quem me ensinou foi meu avô, malandro do Cosme Velho. Depois, meu pai e meus tios deram uma ajustada nas engrenagens. E o resto foi fácil, tanto para mim, quanto para meus irmãos e primos. Minha estreia foi no Maraca aos dois anos de idade. Em seguida, conheci a Bariri, Conselheiro Galvão, Figueira de Melo e tantos outros. Eu nasci botafoguense, mas o meu batizado foi em 89, ao escutar o gol do Maurício no rádio ligado na tomada da sala de jantar. Mas hoje, apesar da pouca idade, posso dizer que tenho doutorado em Botafoguismos.
Selecionáveis Alvinegros
El Loco comentando sobre a Copa do Mundo e, depois, papeando com Deus:
Deus é Brasileiro!
“O Botafogo representa tudo. Agradeço a todas as pessoas que fizeram um esforço para que pudesse voltar ao clube. Dedico essa convocação a todos os botafoguenses. O Botafogo é um clube grande, que merece ter jogadores na Seleção Brasileira sempre.“
Primeiras Medidas
Há pouco o Botafogo anunciou a contratação de Marcelo Mattos e Elizeu.
Ambos vêm para preencher a maior carência do nosso elenco, os volantes. Como dito por aqui inúmeras vezes, LG não dá mais; um bom banco e olhe lá. Sandro Silva se foi (não que era a última maçã do pomar) e sobramos com Tulio Souza e outros Araruamas da vida.
O reconhecimento dessa necessidade não é à toa. Hoje, com a forma física atingindo os limites do aceitável, o futebol não começa mais por um camisa 10. Só os mais românticos ainda acreditam nisso.
Os gols se polarizaram entre jogadas de contra-ataque e de bolas parada. Times que mantém a posse de bola (o barça e a sua filial seleção espanhola) encantam pelo toque de bola. Times mais moderninhos fazem do contra-ataque uma arma mortal e bela de se ver (vide a alemanha na Copa de 2010).
O rabugento muricy, tri-campeão brasileiro em sequência, já deu a dica há muito tempo. Disse em uma longínqua entrevista que o futebol começa nos pés dos camisas 5 e 8 e a cada dia eles se tornam mais importantes para o time. Para comprovar sua tese, bastava ver o esquema de jogo adotado pelos bambis paulistas entre 2006 e 2008 com meio-campistas que sabiam defender ocupando as alas do campo (como jorge wágner e richarlyson).
Nesse sentido, a meu ver, a contratação de Marcelo Mattos parece boa se ele ainda tiver gana para jogar em alto nível. Ele é um jogador que, para a sua posição, está no ponto ideal entre o auge do vigor físico e a experiência exigida. O problema é que ele tinha um salário caro. Aguardemos mais detalhes da negociação para descobrir as questões financeiras. Sua colocação no time é uma incógnita, mas ele tem vaga tanto como primeiro quanto como segundo cão-de-guarda.
A aposta em Elizeu, ex-sport e ex-internacional, parece válida pela possibilidade de descobrir um novo talento, mas devemos abrir o olho. O rapaz fugiu do clube pernambucano na véspera de um jogo contra os mulambos e conseguiu a liberação na justiça trabalhista (provavelmente aliciado pelo clube gaúcho). Em maio desse ano, o inter pagou R$1.000.000,00 a uma empresa pelos 50% dos seus direitos econômicos. Se ele pegou um quê da experiência, do senso de colocação e da roubada de bola do guiñazu, teremos um professor para os nossos garotos.
PS. A outra notícia do dia foi o retorno de Élvis, que se destacou numa das viagens dos juniores à Europa, ao paraná clube.
Vídeo da Semana #23
Antecipando a edição de sexta-feira:
Curiosas Novidades da Copa
Terminada a Copa do Mundo, chegou a hora de voltarmos nossa atenção ao já saudoso Campeonato Brasileiro, simplesmente pelas iminentes estreias do Mago e do Jóbgol.
Mas antes de entrar nesse mérito, penso que vale a pena tocar em um assunto diferente por essas bandas: nesta Copa do Mundo, quais foram os benefícios que a tecnologia trouxe para o torcedor, e não para o espetáculo (alô, Dona Fifa!) . Para ser mais preciso, resumirei o que foi visto de novidade pela internet ao longo desse último mês.
Sem sombra de dúvidas, a moda da vez foram os infográficos, que começaram antes mesmo de 11 de junho com a espetacular tabela do espanhol Marca. Mas sobre o jogo propriamente dito, vimos algumas novas ferramentas interessantes.
A ScoreGrid trouxe um mapa no qual é possível ver a trajetória da bola ao longo do jogo, alguns heat maps indicando as regiões do campo aonde ele é disputado, bem como as estatísticas da posse de bola. A Umbro, por sua vez, criou um blog que media o volume de jogo de cada time, combinando os passes trocados com as ações importantes.
Para a comparação dos jogadores e das estatísticas, o NYTimes usou dados fornecidos pela Match Analisys para dar suas informações sobre cada o jogo, enquanto que o site Visual Sport era muito mais preciso com o Compare Players Tool .
Já para os jornalistas, foram criadas algumas ferramentas que mediam o burburinho de cada jogo / ação promovia na grande rede.
Nesse caso, temos a CNN que, ao criar o TwitterBuzz com objetivo de saber o que as pessoas comentavam online, pretendia apontar os tópicos mais tweetados por determinado período e destacava a importância desse ou daquele assunto. O inglês Guardian também usou o Twitter para dar as suas informações no World Cup Match Replay. O NYTimes também não passou batido e construiu ferramenta semelhante, com foco no Facebook: o Top World Cup Player on Facebook.
Para medir o benefício de cada patrocinador da Copa ($$$), o lainformacion.com montou o seu esquema tático:
Enfim, no fundo no fundo, isso tudo serviu para (i) os especialistas de plantão definirem se a seleção da Espanha (que, guardadas as devidas proporções, me lembrou o Carrossel Alvinegro de 2007) joga no 4-5-1 ou no 4-2-3-1; (ii) para os viciados em internet, terem mais brinquedinhos para justificar suas loucas conclusões futebolísticas; (iii) para os profissionais do esporte bretão conseguirem analisar melhor o que vem sendo praticado em termos de tática e forma de jogar.
PS. Tirei tudo isso do Weblog do Tiago Dória.
Vídeo da Semana #22
“Um gol do futebol arte.”
PS. Parabéns, Guilherme Figueira! Muitas felicidades e muitos anos de vida a ti, Genial Botafoguense.
As emoções ratificam Abreu
Texto bem legal de Marcus Alves publicado no site da ESPN sobre o W. S. Abreu G.:
Tenho muito pouco apreço por pessoas certinhas. Dessas que acham que a vida acaba aos 25. Que o que resta a elas é se juntar a alguém e por ali ficar, com uma rotina regrada, até o fim dos dias. Em alguns casos, vá lá, é justificável, tem algo por trás de tudo aquilo, mas, em boa parte, é pura questão de comodidade, conformismo. Não dá para entender. Mas cada um sabe o que é melhor para si.
Sebastián Abreu é desses que casou cedo. Poderia estar por aí, jogando num Danubio, Defensor da vida e perto de sua família. Não é o caso. Preferiu rodar o mundo. Foram 17 clubes em não sei quantos anos de carreira. Alguns países conhecidos. Sempre com mulher e filhos a tiracolo. Ele garante. Nunca tiveram problema de adaptação. Que bom. Puderam testemunhar de perto algumas de suas loucuras.
Sim, porque as aparências enganam. Abreu não é desse tipo que parte para o matrimônio ainda jovem e abre mão de alguma dose de emoção em seu dia-a-dia. Ele, não. O atacante tem no futebol o refúgio para essas coisas. Ali, dentro de campo, se sente muito à vontade. É terreno conhecido. Sabe onde pisa. Não estranha em nada tudo aquilo.
Daí vem tamanha confiança para fazer o que fez em gramados sul-africanos. Um totózinho no pênalti final, que garantiu o Uruguai nas semis da Copa. Aquilo é talento. Mais do que isso. É coragem.
Algo que nunca faltou a Abreu. Ele tem total noção do que representou o jogo contra Gana. Drama? Alguns podem dizer que sim. O bom e velho Sebastián, não. Ele já viveu um de perto. Pode falar melhor do que ninguém.
Em 2002, sofreu um acidente com a sua caminhonete. Passou três ou quatro dias em recuperação. O amigo que o acompanhava morreu. Algum tempo depois, em entrevista sobre a tragédia, honrou a sua fama de louco. “Volta e meia, esse filme passa pela minha cabeça. Foi e é muito difícil. Porque isso são os dramas de verdade, não uma partida. Mas eu encaro as tragédias com uma moral altíssima. A dor ratifica o meu ser”, disse.
Abreu não está por aqui de passagem. Quer viver as emoções da vida. A família está sempre em primeiro lugar, mas não teme se arriscar. Não ele. Fez o que fez porque a ousadia também corrobora o seu ser, sabe disso. Não faz da área o seu segundo lar à toa. É um tsunami. Um tsunami da área, como se autointitula.



