Marcelo de A. Figueira
Sou Botafoguense e, como todos os outros, tive que aprender a sê-lo. E, por mais difícil que seja, aprendi muito bem. Quem me ensinou foi meu avô, malandro do Cosme Velho. Depois, meu pai e meus tios deram uma ajustada nas engrenagens. E o resto foi fácil, tanto para mim, quanto para meus irmãos e primos. Minha estreia foi no Maraca aos dois anos de idade. Em seguida, conheci a Bariri, Conselheiro Galvão, Figueira de Melo e tantos outros. Eu nasci botafoguense, mas o meu batizado foi em 89, ao escutar o gol do Maurício no rádio ligado na tomada da sala de jantar. Mas hoje, apesar da pouca idade, posso dizer que tenho doutorado em Botafoguismos.
Resenha #2
No jogo de ontem, contra o Nova Iguaçu, tivemos:
- 10 escanteios;
- 2 finalizações certas; e
- 30 passes errados.
Cracatua (ou Cacatua) Ferreira
Como muitos ainda desconhecem (confesso que não sei como, pois vão regularmente ao Niltão) o apelido de nosso exótico zagueiro mencionado no post abaixo, segue a explicação:
Resenhinha #1
Abrimos 2012 formalmente com a resenha do primeiro jogo do ano. Resenha rápida, pois o jogo não mereceu muito mais do que isso.
Afora com todos os blá-blá-blás de treinamentos físicos em excesso, musculatura presa, falta de ritmo de jogo (aliás que m#!@% é essa senão a maior invenção desde 1862), etc., o time jogou bem.
Discordando de certa forma do Francisco aí embaixo, a variação tática no primeiro tempo alternava entre o 4-2-3-1 e o 4-1-4-1, com o avanço do Renato para a linha dos nossos armadores. Isso ficou claro com o cruzamento para o primeiro gol e com o chute no travessão, coisa que não o víamos fazer em 2011. Essa mudança de posicionamento confundiu o pequeno adversário e permitiu que atuássemos com desenvoltura e até certa naturalidade para um primeiro jogo oficial. Jogadas saíram aos montes e éramos para ter arrebentado no primeiro tempo com pelo menos 5 gols.
Mas como o Botafogo é o Botafogo, aquele golzinho c@g@do do adversário emergiu das trevas no apagar das luzes do primeiro tempo…. Fazer o que, né? Aquele filmezinho trágico veio à cabeça, o coração apertou (aí Rojas!), a bola bateu na trave de Deus e o ano que começou no domingo já anunciava todo seu espírito de porco para nós, Gloriosos. Foi então que os Jeffersons do futebol entram em campo e colocam a justiça nas mãos do goleiro do resende, dando um pudinzinho para o Maicosuel só escorar para o gol.
Já que o Loco 40s depois resolveu nos tranquilizar, temos a certeza que 2012 será excelente! Mas como essa nossa certeza também tem algumas pulgas atrás da orelha, a torcida já elegeu o Marcio Varejão para substituto do Alessandro (que foi substituto do Lúcio Flavio), no papel de destinatário das já costumeiras vaias… Enfim, enquanto o rapaz não for responsável por 3 vitórias como o Jefferson (não Deus, mas aquele esquecível lateral esquerdo) nos deu no Rio-SP de 1998, ele continuará como eterno responsável por todos nossos problemas, com participação especial do Cracatua Ferreira.
De positivo, o Herrera, que ainda sabe cruzar para o Loco (e só!), o Lucas, que participou o tempo todo e mostra que quer essa camisa 2 só para ele, o Renato, como sempre, o Andrezinho, que fez uma boa estreia para quem estava acostumado a jogar só um tempo e o Loco, com aquela jogada quase tão espetacular quanto Tulio Maravilha contra o Americano (se não me engano) no Caio Martins.
De negativo….. deixamos isso para lá por enquanto! Vamos ser otimistas para 2012 que é o melhor que fazemos.
Sócio-Torcedor: Informação
O Campeonato Carioca começa no próximo domingo e uma notícia já incomoda os Gloriosos. Tendo (de longe!) o melhor programa de sócio-torcedor do Rio, o torcedor Alvinegro, há poucos dias da estreia, se vê obrigado a fazer um recadastramento no plano ao qual é filiado para garantir sua entrada sem filas e chateações no Niltão e a preço de banana (sim, para quem como nós vai a quase todos os jogos é bem barato).
No final do ano passado, trocamos a empresa que administrava o ST: saiu a novo traço e entrou a Outplan (com participação indireta da Globo). A Outplan já organizava a venda de ingressos nas bilheterias e a entrada no estádio e a tendência é que, agora, a operação funcione melhor sendo feita por uma única empresa.
A princípio, esse recadastramento não faz qualquer sentido, mas parece que, não sei se por birra ou por contrato, a novo traço levou todas as informações do antigo plano de ST, inclusive o cadastro, deixando o Botafogo a ver navios. Por tal motivo, é importantíssimo para o Botafogo que você, Alvinegro, faça o recadastramento e garanta suas comodidades in loco quando presenciar as nossas vitórias.
Política Interna #1
Na última segunda-feira tomaram posse os novos membros do Conselho Deliberativo do Glorioso para o triênio que se estende até o final de 2014. Foram eleitos 140 membros da chapa que vencera as eleições no mês passado e 14 da chapa derrotada. Eles se juntam aos beneméritos e grandes beneméritos que, por muito terem feito pelo clube, têm cargo vitalício no Conselho.
Entre os atos da ordem do dia, dois merecem destaque: um de natureza prática (aprovação do orçamento para o ano de 2012) outro de natureza política (eleição de membros para cargos internos).
A votação do orçamento de 2012 foi adiada para a próxima reunião, pois o Conselho Fiscal do Clube não teve tempo suficiente para analisá-lo e dar o seu indispensável parecer.
Já no segundo caso, foram homologados os Vice-Presidentes de Departamento e eleitos os membros que comporão a Mesa Diretora do Conselho Deliberativo, a Comissão Permanente, o Conselho Fiscal e a Junta de Julgamento e Recursos.
Em duas ocasiões houve disputa. No Conselho Fiscal, a chapa encabeçada por Antonio Carlos Mantuano, ex-VP Geral, levou a melhor contra a liderada por Cláudio Good. Na Composição da Mesa Diretora, José Luiz Rolim foi eleito presidente do Conselho Deliberativo. Em termos de importância, é o cargo mais elevado do Clube ao lado da Presidência.
Rolim já foi presidente do Botafogo entre 1996 e 1999, época em que o Botafogo ganhou o Campeonato Estadual (97), o Torneio Rio – São Paulo (98), a Taça Cidade Maravilhosa (96), a Taça Teresa Herrera (96) e chegou à final da Copa do Brasil, naquela tarde de domingo mais triste da história.
Esperamos que todos exerçam adequadamente suas funções e contribuam para que o clube conquiste títulos importantes no próximo triênio, que é, no final das contas, o que realmente interessa.
Campanha
Alguns podem achar besteira. Outros não importante ou até tratar o assunto com descaso. Mas a questão, de fato, pede uma ação.
Quando o Niltão ficou pronto, a prefeitura do Rio o batizou de ‘joão havelange’, para fazer um gracejo com o sr. jean-marie faustin goedefroid de havelange, que ficou 18 anos (56-74) à frente da cbd (!), 24 anos (74-98) como manda-chuva da fifa (!!) e 48 anos (63-2011) como membro do COI (!!!). Ele até chorou. Afora questões regulamentares, sem dúvida nenhuma esse senhor gosta realmente de poder.
Só que a saúde de ferro que deus (o outro, não o jefferson) lhe deu, o fez chegar a 95 anos e, a esta altura do campeonato, o sr. jean-marie se vê obrigado a defender-se (ou esconder-se) das denúncias que começam a pipocar pelo mundo. Elas envolvem o recebimento de propinas da isl (aquela mesma empresa que deu $$ para os molambos jogarem pela janela na década de 90) para benefícios no abre-portas mundial que é o futebol. Dizem por aí que o caraminguá até já foi devolvido…
Agora, surge na internet uma campanha capitaneada pelo blog do juca kfouri para mudar o nome oficial do nosso querido Stadium Rio, dizendo que a homenagem ao sr. jean-marie não é mais devida, pois a recente renúncia ao COI seria uma espécie de confissão pública da tramoia e, por isso, o gracejo perde todo o sentido.
As homenagens são prestadas sempre por dois motivos: mérito ou interesses escusos. Na época, até poderia existir o mérito do responsável pela modernização do futebol mundial, mas hoje os meios utilizados estão vindo às claras. Nós, Alvinegros, nada temos com isso, fora a excelente oportunidade de tornar oficial a nossa homenagem moral ao Nilton Santos.
Eleições
Maurício Assumpção foi reeleito presidente do Glorioso ontem com pouco mais de 70% dos votos. Seu bom primeiro mandato levou os sócios a lhe garantirem até 2015. Ele reorganizou o clube e deu uma cara mais empresarial à administração (palavras internas), aumentando e valorizando nosso patrimônio e abrindo frente para despontarmos noutros esportes. Ao contrário do que muito se tem lido pela internet, o futebol foi bem nesse triênio. Resultados expressivos demoram a aparecer e passam, sem qualquer dúvida, pela valorização das divisões de base.
Seu novo vice será o caro Paulo Mendes, parente de Horácio Feldman comentarista ativo aqui do blog. Boa sorte a ambos!
O Passarinho e o Caio Junior
Fim de ano se aproxima e o Glorioso entra em ebulição. A conturbada saída do Caio Junior foi demais para o descanso do passarinho e o fez bater asas na direção de General Severiano. Em boa e rápida conversa, descobriu que nada que está na imprensa relata a verdade (como de hábito no Botafogo, devido ao bom trabalho do Departamento de Futebol).
O que de fato aconteceu foi um pedido de demissão, partindo do próprio Caio Junior, na noite de quarta-feira. Logo em seguida, tentaram convencê-lo a ficar e liderar o time nessa reta final, apesar de todo a pressão que se sucederia. Ele pediu um tempo para pensar e na quinta-feira pela manhã anunciou sua decisão pela saída.
As respostas dadas nas entrevistas, até aqui, abordam o assunto quase sempre indiretamente. Quando obrigada a dar uma resposta direta, a Diretoria, com a educação e o respeito de um Sir inglês, poupa a fraqueza de nosso ex-treinador.
O passarinho, então, voltou lentamente ao seu ninho, orando por dias melhores.
A Queda
Tarde ou cedo, decisão correta ou errada, nada mais importa, pois foi-se Caio Junior.
A Xepa
A xepa. Seja na feira ou no quartel, ela não é benquista. Mas no futebol é diferente: dela não se pode abrir mão. E essa rejeição foi fundamental para a derrota no jogo de sábado.
Temos um time que se impõe contra não importa quem seja quando joga no Niltão e outro que se adapta ao ímpeto adversário quando atua longe dele. Essa tática, até hoje, foi muito criticada e elogiada, mas, depois que encaixou, deu-nos muitas alegrias pois íamos ao Niltão para ver goleadas ou vitórias sem grandes sofrimentos (à exceção do jogo contra os bambis paulistas).
E isso tudo logo na 32ª rodada, quando tínhamos em mãos a terceira chance de passar a dar as cartas no campeonato, resolvemos mudar nossa característica. A torcida, acostumada à avassaladora pressão inicial e aos gols no primeiro tempo, assistiu incrédula a um enorme respeito ao poderosíssimo figueirense. E esse respeito veio na forma da mudança do 4-2-3-1 avançado (ou 4-3-3, como queiram) com constantes trocas de posições e compensações táticas para o 4-3-2-1 estático e burocrático, sob o argumento implícito de se proteger dos perigosíssimos wellington nem e julio cesar.
A mudança foi a simples substituição de um jogador limitado, mas eficiente para os fins a que se presta: o Herrera contagia o time desde o início com sua correria quase sempre sem sentido ou direção. Com o estrago já feito, um dos grandes vencedores do concurso de vídeos do intervalo, me soltou a grande pérola do jogo: “quem é essa pǿ®®@ de figueirense que merece tanto respeito?”
O motivo tático do desastre foi somente um: a xepa; ou, em bom futebolês, a sobra. Abrimos mão dela porque nossa tão elogiada meiúca não se adaptou à nova formação e porque o time deles é bem treinado demais. Marcelo Matos, mais à esquerda do que de costume, foi nulo no primeiro tempo; Renato, enfiado no meio dos volantes adversários, perdera a função de verdadeiro organizador (enquanto cabeça-de-área); Léo, coitado, pagou o pato pela mudança tática e não deve mais jogar esse ano. Com esse distúrbio organizacional, não pegamos uma sobra sequer no primeiro tempo. Cada tirada de bola da área ou corte de passe na intermediária tinha endereço certo: os pés de seus atacantes para os contra-ataques infrutíferos. Somente no segundo tempo, na base do abafa, vimos a pressão Gloriosa a que estamos habituados.
Mas aí surgiu um novo problema bastante incomum: os erros individuais. Deus mais parecendo coroinha, Renato errando passes (?!), Elkeson zunindo a bola, Maicosuel evitando a linha de fundo e Cortês com medo de ir ao ataque. Diante disso tudo, descobrimos que não era dia. E quando não é dia…
Pelo menos, o domingo foi amigo e o título continua muito próximo. Permanecemos a três pontos dos líderes e só fomos ultrapassados pelos bambis cariocas, contra quem ainda jogamos.
A despeito do erro na escalação inicial, acho o Caio Junior um excelente técnico. Em muito pouco tempo nos arrancou fora a mentalidade defensiva do joel (que afunda o cruzeiro até hoje) e emplacou um esquema tático bonito de se ver, tanto que ainda estamos na zona da Libertadores e a um jogo da liderança. E por isso, Glorioso, que no próximo domingo seu lugar é apoiando o time até o último segundo no Niltão.







