O Esporte que Vendeu sua Alma #2
Continuando o post logo aí embaixo, segue o segundo trecho da matéria do Marcos aAlvino, publicada na Revista Piauí.
“Como o jogo da ralé virou uma máquina de fazer dinheiro? O processo se confunde com a transformação de um jogo rural violento e selvagem num esporte praticado nas escolas mais aristocráticas da Inglaterra. Os professores tinham enorme dificuldade em conter pupilos originários de uma camada social superior. Os filhos da aristocracia desrespeitavam e, às vezes, agrediam seus mestres. Eram o terror da região em torno das escolas: estupravam camponesas, destruíam pubs, batiam nos aldeões. Entre eles mesmos havia violência. Os calouros eram tratados pelos veteranos como servos, inclusive no abuso sexual. Os diretores tiveram a idéia de canalizar a energia destruidora para uma atividade física.
Foi assim que, usando o pátio do colégio como campo, aos poucos o futebol virou um esporte, embora de início as regras fossem transmitidas oralmente e variassem de escola para escola. Como jogar era privilégio dos veteranos, durante muito tempo os calouros serviram apenas para marcar a linha lateral. A idéia funcionou e, com o tempo, os diretores conseguiram diminuir as arruaças nas escolas. Eram apoiados pela Igreja, que professava a doutrina do “Corpo são em mente sã”. Cansar os meninos era uma maneira de evitar os pecados. Os alunos cresciam e iam para as melhores universidades, aonde chegavam com vontade de bater bola. Havia um problema: os alunos vinham de escolas diferentes e não existia uma regra comum. Algumas escolas permitiam carregar a bola com as mãos e chutar livremente a canela dos adversários. Era a regra da escola do Rugby Football, de onde derivou o rúgbi. Antes das partidas, os times tinham que combinar com quais regras jogariam. Até que uma reunião interclubes na Freemasons’ Tavern, em 1863, adotou a regra que proibia o uso das mãos (exceto para o goleiro) e os pontapés (a não ser na bola).
As federações e campeonatos foram criados com impressionante rapidez. O motivo: a ralé, que inventara o jogo e o havia praticado durante séculos, apesar das proibições, aderiu logo ao novo esporte. Ele passou a ser jogado, nas cidades, pelos operários que fizeram a revolução industrial, ganhando salários miseráveis e morando em cortiços insalubres. Quando eles se organizaram em sindicatos e conseguiram arrancar dos patrões a meia jornada de trabalho aos sábados, aproveitaram o tempo livre para jogar futebol. Por isso, até hoje, o horário tradicional do futebol na Inglaterra – cada vez mais desrespeitado pela televisão – é sábado, às três da tarde, a hora em que o pessoal largava o macacão e calçava as chuteiras.
Jogado ou assistido, o novo esporte logo se tornou o principal divertimento dos moradores das cidades (junto com o álcool). Inclusive as mulheres jogavam, até 1902, quando a Football Association proibiu os clubes de manterem equipes femininas. Todo mundo lucrava: o industrial via seus operários criarem mais um vínculo com a fábrica, o dono do pub vendia mais cerveja, os jornais vendiam como nunca; surgiram empresas de material esportivo, prometendo a bola mais redonda e a chuteira mais possante. Depois dos times de fábrica, vieram times de paróquias, times dos freqüentadores de pubs, times de profissionais liberais e aristocratas. À medida que a Inglaterra expandia seu império, o futebol ganhava novos adeptos nas colônias, até se tornar o esporte mais popular do planeta.
Enquanto se alastrava pelo mundo, na pátria-mãe do esporte, contudo, o público diminuiu ano a ano, entre 1950 e 1986. A única exceção foi em 1966, quando a Inglaterra ganhou, em casa, sua única Copa do Mundo (graças a uma bola que não entrou). Entre 1985 e 1986, o público inglês do futebol alcançou o número mais baixo da história: 16,5 milhões de espectadores, contra 41 milhões em 1949. Embora a partir de 1986 tenha havido uma recuperação, a grande virada ocorreu com a criação da primeira divisão, a Premiership, em 1992.
A nova primeira divisão do futebol foi financiada por um espetacular contrato de exclusividade, firmado com a BSkyB, tevê a cabo do bilionário australiano Rupert Murdoch, que queria usar o futebol como ponta-de-lança para a implantação da televisão por assinatura na Inglaterra. Os ingressos aumentaram enormemente de preço: cerca de 300% nos sete anos iniciais da primeira divisão. A majoração não visou somente a melhorar os balanços financeiros dos clubes. Um dos seus objetivos era substituir os torcedores de origem operária por consumidores de classe média, excluindo os indesejados por meio de preços proibitivos. Era a transformação do futebol num ramo privilegiado da lucrativa indústria do entretenimento.
Em nome da segurança, desencadeou-se um processo de higienização dos estádios de futebol, agora transformados em shopping centers ou, nas palavras dos sociólogos Tim Crabbe e Adam Brown, “‘palácios do prazer’ onde o espetáculo é ‘produzido’ para uma variedade de ‘consumidores’”. Os estádios de futebol, antes considerados territórios sagrados dos clubes e de seus torcedores, muitas vezes são vendidos para construtoras, erigindo-se “arenas multiuso” em lugares distantes do bairro onde tudo começara, privando a vida comunitária de um dos seus centros mais importantes. Os novos estádios, exatamente como no modelo americano, tomam o nome das empresas que os financiaram ou, como se costuma dizer, dos patrocinadores do clube: Reebok Stadium (Bolton Wanderers), Ricoh Arena (Coventry City), Emirates Stadium (Arsenal), Kingston Communications Stadium (Hull City), Walkers Stadium (Leicester City) etc. Os campeonatos, devido à inevitável veiculação de notícias na mídia, agora também vendem seus nomes: a primeira divisão é Barclays Premier League e a segunda é chamada (com todos os cacoetes do marketing) de Coca-Cola Championship.”
O Esporte que Vendeu sua Alma #1
Passeando pela internet, meu irmão Francisco (que publicou o texto sobre a história do Botafogo aqui) me lembrou de um texto genial de Marcos Alvito originalmente publicado na Revista Piauí. Trata do futebol na Inglaterra e sugere uma explicação ao fato de o futebol da terra da rainha ser tão rico.
Como o texto é bastante longo (mas não por isso é menos interessante), vou dividi-lo em trechos e publicá-los dia após dia. Quem não quiser esperar, pode ler o texto todo de uma vez diretamente no site da Piauí. Aí vai:
“Como o rude esporte bretão se tornou um ramo privilegiado da indústria do entretenimento
“Não quer que o chutem também, vagabundo jogador de futebol?” É com essas palavras, seguidas de um pontapé, que o leal conde de Kent agride um mordomo que ousara desrespeitar o rei. É uma cena da tragédia Rei Lear, escrita há 400 anos por Shakespeare. Naquele tempo, o futebol era considerado um jogo da ralé, e ser chamado de jogador era um xingamento. Não era para menos, porque consistia em um enfrentamento generalizado entre duas aldeias, muitas vezes com vítimas fatais. A turma tentava carregar uma esfera de couro – geralmente a bexiga de um animal – até a aldeia adversária. Lá chegando, a comemoração era quebrar tudo. Não havia nenhuma regra, e a balbúrdia era tanta que reis e autoridades tentaram proibir o jogo durante séculos.
Em Islington, ao norte de Londres, fica o estádio do Arsenal. O clube foi fundado por operários de uma fábrica de munições e até hoje o bairro onde fica o Emirates Stadium é relativamente pobre. Para chegar ao estádio, seguindo as placas colocadas desde a estação de metrô, passa-se por um restaurante boliviano, lojas por alugar, um pub que ostenta várias bandeiras do clube e um escritório onde imigrantes africanos podem enviar dinheiro para seus parentes. Contrastando com a vizinhança, o Arsenal é um dos clubes mais ricos do mundo e o canhão, símbolo que remete às suas origens, agora jaz numa parede revestida de mármore.
O Emirates Stadium, um colosso de concreto que mais parece um aeroporto ou um shopping center, custou 400 milhões de libras (1,6 bilhão de reais). Embora comporte mais de 60 mil torcedores, comprar ingresso para um jogo do Arsenal é missão quase impossível. Ingresso garantido, só para os que têm um cartão permanente (o season ticket) que dá direito a assistir a todos os jogos. Custa a bagatela de 990 libras (cerca de 4 mil reais), mas a lista de espera pode demorar até quinze anos. Para ficar na lista, é preciso pagar 45 libras (180 reais). Descendo um degrau na hierarquia pecuniária dos torcedores (ou consumidores?), há os sócios-torcedores. Pagando cerca de 30 libras (120 reais) por ano, eles podem comprar ingressos para todos os jogos – mas só depois de descontados os reservados aos que têm o cartão permanente. Nesse caso, os ingressos custam 40 libras (160 reais), no mínimo. E existe, finalmente, a categoria dos reles mortais, que poderão comprar ingressos só se sobrar algum. Os quatro grandes times (Arsenal, Chelsea, Liverpool e Manchester United) praticamente não vendem ingressos assim, pois os donos do cartão permanente e os sócios-torcedores fazem valer seus privilégios. Para os outros times, ainda é possível comprar um ingresso ou outro para jogos menos importantes.
Depois de dias de tentativas, consegui finalmente comprar um ingresso para o jogo do Fulham contra o Bolton Wanderers, talvez por acontecer numa quarta-feira à noite: pontapé inicial às 19h45. E sem dúvida porque a partida equivalia a um Náutico x América-RN. Paguei a módica quantia de 32 libras (128 reais) para sentar em um buraco na primeira fila, um ótimo lugar para ver a marca das chuteiras dos jogadores. Com o mar de chuva e o frio – o verão inglês ainda não foi informado do aquecimento global -, eu teria direito a ficar encharcado e batendo queixo por noventa minutos. Depois de uns quinze minutos, fui para um assento na parte coberta, bem sequinho. Pena que era em frente a uma das colunas de sustentação da arquibancada.
Os clubes da primeira divisão não teriam necessidade, aparentemente, de cobrar tão caro pelos ingressos. Somente com direitos de transmissão das próximas três temporadas, os vinte clubes da divisão de futebol mais rica do planeta ganharão 2,7 bilhões de libras (cerca de 11 bilhões de reais). A isso se soma a venda de inúmeros produtos. Se não se consegue comprar ingresso para um jogo do Arsenal, é possível freqüentar uma das duas gigantescas lojas do clube. Na ausência de dribles, passes milimétricos e cabeçadas certeiras, há quem se contente com uma caneca vermelha, bolas de golfe com o símbolo do canhão, meias, chaveiros, almofadas, pijamas, canetas, balas, cadernos, chocolates, relógios e até camisas do Arsenal com o nome do torcedor gravado, a quase 200 reais cada uma.
Além das quinquilharias, o fiel torcedor poderá gastar o seu dinheiro com o Arsenal de diversas maneiras: fazendo a assinatura da tevê a cabo para ver os jogos, pagando para receber mensagens no seu celular com as últimas notícias do clube, comprando um passe eletrônico para ver os gols pela internet, adquirindo o DVD da última temporada ou as dezenas de enciclopédias, biografias e autobiografias que são publicadas todos os anos. Caso não seja suficiente, pode-se apostar em dezenas de lojas diferentes, e pela internet também. Apostar em tudo: se o Arsenal será campeão, se vai ser rebaixado, se irá se classificar para as copas européias, quanto vai ser o placar do jogo, quem vai marcar o primeiro gol, em que minuto da partida… Sem falar no pão-nosso-de-cada-dia: as páginas esportivas dos jornais, as revistas especializadas e, é claro, a cervejada no pub com os amigos, vendo e comentando os jogos da rodada.” (…)
Uma questão de gestão – Parte III
Após escrever o post sobre a importancia do uso da internet para divulgar a marca e alavancar receitas para o Botafogo, resolvi fazer um levantamento dos 20 websites de clubes de futebol mais visitados na web e as razões que diferenciam os primeiros dos outros.
Atualmente a internet é um dos meios de comunicação preferidos dos torcedores de futebol. Com uma capacidade de audiência fantástica e acessível de todo o planeta, a presença online de um clube é nos dias de hoje uma das melhores formas de maximizar a globalidade das suas receitas. A assiduidade e a frequência com que os adeptos de futebol consultam os websites dos clubes, é também um dos melhores métodos de avaliação do potencial da sua marca online.
No topo dos websites de clubes mais visitados está o Manchester United com mais de 452 milhões visitantes únicos anuais. Atualmente o Manchester United gera cerca de 20% da sua receita total através de transações online, o que para uma receita total de 324 milhões de Euros em 07/08, significam quase 65 milhões de Euros gerados a partir da internet.
Estas transacções ou receitas provenientes do website do Manchester United, incluem naturalmente a venda direta de publicidade no website, merchandising, venda de cadeiras cativas e ingressos. No entanto estas transações incluem também as várias assinaturas da MUTV (que transmite também online) e da MUMobile, mas o clube conta também no seu website com um casino online, fruto da parceria efectuada com a Betfair.
Os websites de clubes mais visitados (nº de visitantes únicos anuais)
- Manchester United (Inglaterra) – 452,7 milhões
- Real Madrid (Espanha) – 271,6 milhões
- Arsenal (Inglaterra) – 205,6 milhões
- Bayern Munique (Alemanha) – 27,8 milhões
- Liverpool FC (Inglaterra) – 23,7 milhões
- Galatasaray (Turquia) – 16,7 milhões
- Olympique Marseille (França)– 16,1 milhões
- Internazionale (Itália) – 15,4 milhões
- Rangers FC (Escócia) – 14,5 milhões
- FC Barcelona (Espanha) – 14,3 milhões
- AC Milan (Itália) – 12,5 milhões
- Fenerbahce (Turquia) – 12,3 milhões
- Chelsea FC (Inglaterra) – 11,3 milhões
- Aston Villa (Inglaterra) – 11,1 milhões
- Borussia Dortmund (Alemanha) – 6,3 milhões
- Corinthians (Brasil) – 6,1 milhões
- Olympique Lyonnais (França) – 5,9 milhões
- Paris SG (França) – 5,7 milhões
- Juventus (Itália) – 5,5 milhões
- Manchester City (Inglaterra) – 5,2 milhões
A grande diferença entre Manchester United, Real Madrid, Arsenal para o restante dos clubes, reflete a dimensão dos 3 clubes em termos de audiência online. No meio globalizado da internet e fortemente impulsionados pelo mercado asiático, estes dados são o reflexo de várias iniciativas de marketing destes clubes, como são os exemplos da estampagem dos nomes dos jogadores nas camisas em diversas línguas e a participação em torneios nos países asiáticos.
No Brasil o website do Corinthians é o mais visitado com 6,1 milhões de visitas únicas por ano, seguido do Palmeiras e Internacional com 3,2 e 3,0 milhões respectivamente. O do Botafogo recebe uma média de pouco menos de 800 mil visitantes únicos por ano. Um número irrisório considerado o tamanho do clube, sua história e sua torcida. Mas também, como esperar acessos de um site onde faltam a maioria das fotos de seus próprios atletas? Existem milhares de coisas que poderiam ser feitas, com um investimento baixissimo. O site Redação Alvinegra (do qual participei da montagem inicial), existe a menos de um ano, reunindo reportagens sobre o Botafogo, além de outras coisas como enquetes, resultados, tabelas, games e etc, e recebe quase este mesmo número de visitantes.
Enfim, mais uma prova de que nosso clube está entregue a pessoas que não tem a menor idéia do que estão fazendo. Um departamento de marketing sem criatividade, mais preocupado em recriar coisas do passado (boneco do Biriba) do que se arriscar em novas frentes. Gostaria até de tentar ajudar, criar algo para o Botafogo, mas tenho certeza de que minhas ideias parariam na arrogância e falta de humildade da atual Diretoria.
Saudações
"Locura" e a psiquê

E não é que nosso artilheiro desencantou? Foram logo 3 gols e todos de cabeça, a especialidade do hermano. Claro que contra o Resende, equipe que venceu apenas uma partida no primeiro turno, não podemos achar que está tudo resolvido.
O jogo foi bom, apesar do susto nos primeiros segundos de jogo (o Banana ainda tava abotoando o pijama). O Botafogo conseguiu virar, com tranquilidade, e mais que isso, achei que o time entrosou e pela primeira vez, fez jogadas trabalhadas, manteve controle do jogo, e ainda fez 5 gols. Poderiamos ter feito mais, não fosse a vontade do Loco de fazer o quarto gol (ele deixaria o Caio sozinho dentro do gol). Acho que foi um estímulo interessante pra entrar nas semifinais com ânimo renovado. Ainda tem muito trabalho pela frente (e o São Raimundo lá na quarta), mas estou esperançoso.
E agora vem o carma. Mais importante que pensar em vencer no campo, será vencer na cabeça. Os mulambos são o grande algoz dos ultimos anos (a arbitragem também, mas essa fica pra depois), e mais que traçar estratégias e ferrolhos pra ganharmos deles, teremos que trabalhar a cabeça, o emocional. Claro que muitos jogadores não participaram das derrotas anteriores, mas o Botafogo e principalmente sua torcida vem marcados com essa estigma de que contra o zurubú, não dá mais pra ganhar.
A torcida eles vai encher o lado de lá, isso é fato. E a nossa? Acredito que seremos menos de 1/3 ainda mais se o jogo for no Maior do Mundo. E essa áurea que ronda o Alvinegro, pode contagiar os mulambos e estes se apresentarem ao jogo ainda com suas fantasias da Sapucaí. É aí que entram nossos hermanos, que nada tem a ver com isso (e que fiquem longe da gandaia), e nos preparam uma “parillada” de zurubu. Loco Abreu tem que mostrar que é goleador contra o lado mal. Que seja por cima, por baixo ou pelo meio, quero ver a Bruna ir buscar umas 3 no fundo do barbante. Vão falar que ainda faltam 10 dias pro jogo, que o Botafogo ainda pega o São Raimundo, mas pra esse Botafoguense aqui, o jogo começou ontem ás 18:48 e vai ser longo ainda.
Emoções a vista, e coração angustiado até depois do Carnaval.
Saudações
Bandeira branca, amor.

Bandeira branca, amor
Não posso mais
Pela saudade que me invade
Eu peço paz
Se já é Carnaval no Rio, o Botafogo dançou no ritmo da marchinha de Dalva de Oliveira. O Glorioso pedia paz. Primeiro, a paz de vencer mais um jogo contra um pequeno, o que ocorreu com facilidade, apesar de um susto com menos de 30 segundos de jogo. Depois, a paz de se classificar para as semi-finais, já que era o único grande que ainda não tinha garantido a vaga. E, por fim, e talvez o principal, a paz entre time e torcida, o que era o mais difícil. Mas como é carnaval, tempo de alegria, a torcida parecia disposta a dar essa trégua, desde que o time desse motivos para tal. E assim o foi. O antes execrado Lúcio Flávio saiu de campo aplaudido e, ao final do jogo, o time inteiro agradeceu à torcida, reconciliação comandada pela malandragem de Joel Santana, que quer a cachorrada junto com o time.
Em campo, um jogo fácil. Está certo que o Boavista se aproveitou de uma pane geral no sistema defensivo do Botafogo e abriu o placar logo aos 24 segundos, mas logo em seguida, o Botafogo tomou conta do jogo. El Loco mostrou que é excelente no jogo aéreo e virou. A expulsão de Márcio Gomes, aquele mesmo que já jogou aqui, abriu o caminho para a goleada.
Se El Loco fosse tão bom com os pés quanto é com a cabeça, teria feito cinco. Os renegados Lúcio Flávio, Alessandro, Fahel e Eduardo vêm crescendo de produção gradativamente. Aliás, esse último parece estar se tornando o novo Toró de Joel Santana. A defesa jogou firme, fora a pane no primeiro gol e a molengada do Banana de Pijama no segundo. Marcelo Cordeiro apoiou muito bem e a avenida às suas costas diminuiu um pouco. Wellington Júnior entrou bem, mostrou raça e técnica, fez um gol e quase meteu outro, de cabeça. E o Caio se movimentou bem, mas exagerou e muito nas firulas. Mas tenho certeza que o Papai Joel vai puxar as orelhas do menino pra isso não se repetir.
Agora, o campeonato vai começar de verdade. E temos logo a mulambada pelo caminho. O fato de ser na quarta-feira de cinzas pode nos ajudar, já que o tal império do amor deve ir em busca de amor no carnaval.
A nós, cabe deixar de lado os traumas recentes e encher o Maraca, gritando e apoiando sem parar. Sem faixas pedindo pra jogadores irem embora ou vaias.
A paz é branca. E preta.
Vídeo da Semana #2
Nessa semana, vou colocar aqui o vídeo da despedida do Nilton Santos do Maraca, aos 39 anos. Numa tarde de domingo de dezembro de 1964, no jogo contra os molambos, nosso Ídolo Maior decidiu se despedir do Glorioso e, logo, dos campos de futebol.
O jogo, para nós, não valia nada e, para eles, o campeonato. Se empatassem, iriam para um triangular contra bangu e bambis. Perderam e, por isso, colocaram o rabo entre as pernas e assistiram a final entre os dois outros.
Como não nos interessava o jogo, parece que levamos a campo um escrete bastante jovem, recheado de garotos e reservas. Resultado: 1 x 0, com gol de Roberto Mendonça.
Taí o vídeo:
Tacadas #1
Tal como uma sinuca de bêbado, abaixo vão algumas tacadas a esmo sobre o jogo de hoje:
- o Lúcio Flávio jogou muita bola: apareceu para o jogo em quase todos os lances, sempre pelas pontas, dando opções aos demais, e coordenou o time, como sempre;
- o Herrera correu e ponto;
- a torcida é burra e não quer ver mais o jogo: só começou a vaiar o LF já na metade do 2º tempo, após uma falha, se não me engano, do Herrera, que deixou a bola passar para o Marcelo Cordeiro em uma virada do jogo do LF;
- o esquema com dois atacantes abertos tem que ser adotado na semifinal;
- O Marcelo Cordeiro fez um partidão lá na frente, com participação em três gols, e deixou, como sempre, uma auto-estrada nas suas costas: é meio-de campo, e não lateral.
- Quando Deus (Jefferson) voltará a ser Deus??
- o time já está ganhando a cara do Joel e marcando um pouco melhor.
Alvinegros verdes e amarelos
Dando sequencia a nossa série de colaborações, segue um post do Francisco de Andrade Figueira, irmão do nosso ilustre companheiro de blog Marcelo. Um texto longo porém inteligente que resgata todo nosso orgulho de ser alvinegro.
Nota: A Aliança Alvinegra não se responsabiliza pelo conteúdo dos posts de colaboradores. São posts que achamos interessantes, relacionados ao blog e que representam a voz de nossos usuários. Os textos postados são publicados na íntegra, sem qualquer edição. As opiniões postadas são de exclusiva responsabilidade do autor e nem sempre refletem a opinião da Aliança Alvinegra.
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Os sociólogos usam uma expressão curiosa para designar um dogma, algo que sustenta toda uma fé, o “mito fundador”. Este teria a função de basear todo um conhecimento, uma união, um sentimento ou uma aceitação. Este não teria função prática, e só a teria. Se tornaria inalcançavel por ser verdade, e verdade por ser inalcançavel. Pensando nessa expressão, reflito sobre os times. Muitos dos torcedores se legitimam por números. “Torço para o clube X porque é o que tem mais títulos” ou “Só serve o time Y porque é o que tem mais torcida”. Engano, eles torcem por outros motivos, ligações familiares, amigos que influenciaram, mas o mito fundador serve exatamente para justificar, dar certeza.
Então me pergunto, qual o mito fundador do Botafogo? Se são gloriosos os alvinegros, por quê os são? Muitos justificam na ponte que parecia existir até alguns anos entre General Severiano e a Granja Commary, outros em times da década de 60. Nunca quis isso. Para mim, Botafogo não é número, é sentimento. Quanto mais eu penso, mais eu vejo que, por não querer números, percebo maior ainda a grandeza da camisa alvinegra. Lembrei-me outro dia de uma curiosa história que uma vez vi num texto de João Moreira Salles, salvo engano, e duvido que tenha acontecido entre algum outro escrete. Na verdade, são duas histórias paralelas, que se encaixam tão perfeitamente que parecem obra do divino. O Brasil e o Botafogo.
Nascido em 1898, o Botafogo de Regatas olhava para o Atlântico. Passeava pela Baía de Guanabara e voltava. Este era o Brasil elitista, sempre se esquecendo do seu interior, sempre olhando para o outro lado do mar. E, vizinhos e coabitantes, existiam outras metades. O Brasil do interior nascia da necessidade um sonho, de uma luta contra a fauna e a flora desconhecidas, a necessidade de sobreviver. O Botafogo Football Club também nasceu de um sonho, da vontade de jogar bola, de meninos que criaram um club sério feito para brincadeiras. As duas histórias começaram parecidas e assim continuaram. Os meninos, sonhadores natos, criaram logo uma equipe vencedora.

Em 1910, já tinham a alcunha de Gloriosos, e em 1911 compraram uma briga com gente muito maior. Sairam da Liga Metropolitana, viveram de amistosos. Na mesma época, o Brasil de dentro se revoltava. Pela primeira vez desde o início da política do Café com leite, a troca entre mineiros e paulistas era quebrada. Os paulistas e os cariocas apoiavam Rui Barbosa, candidato de elite, famoso intelectual. O Brasil de dentro apoiava o marechal Hermes da Fonseca. Pior para os cariocas, ganhou o militar que tinha como vice Venceslau Braz, nome da rua que passa pela nossa sede. Logo, porém, o Brasil de dentro também comprou brigas, veio a Revolta da Chibata, pois o militar não fazia valer seu compromisso com seus eleitores. Para piorar, Fonseca fez aliança com Pinheiro Machado, hoje rua que leva aos tricolores, para governar o país. Forçou interventores militares em alguns estados, endividou mais o país. Assim como o Botafogo de Football, o Brasil de dentro queria seriedade. Teve que esperar mais tempo.
Veio a década de 20, perdida para o Football e para o de dentro. Era a preparação para algo muito maior, a grande mudança. 1930. A revolução. Brasil conseguiu acabar com o elitismo de paulistas e mineiros, assumiu uma nova ordem o presidente salvador, Getulio Vargas. Enquanto isso, nos campos, o Botafogo de Football fazia história, o primeiro e único clube carioca a ser tetracampeão estadual. Tetra de verdade, seguido. Seguiu-se um longo periodo de vitorias. Chegou a nova estrela, Heleno de Freitas. Getulio uniu elites, operariado urbano e burguesia num acordo de mestre, em prol do desenvolvimento da nação. Também nessa época os Botafogos se uniram. Criado o Botafogo de Futebol e Regatas. País e clube com um só corpo, mas não com uma só voz. Assim como a que ocupava o Palácio do Catete, a estrela galanteadora brilhava demais. Com ela em campo, o alvinegro conquistou vitórias inesquecíveis, o jogo do senta no Flamengo, golaços no Fluminense, mas ela ofuscava a verdadeira estrela solitária. Não conseguiu titulo por culpa do craque. Getulio também se provou brilhar demais. Tornou-se ditador e salvador, fez as reformas estruturais, mas também não admitia outros brilhos. Flertou com o integralismo, como Heleno flertava com o Fluminense, mas abandonou a traição antes de se comprometer, como Heleno e os tricolores. A situação era insustentável, General Severiano teve que se desfazer de Heleno, mandado a Buenos Aires, mas não sem lagrimas no aeroporto. Também o Catete se desfez de Getulio, enviando-o para os pampas cuidar de seu gado.

Nascido os novos Brasil e Botafogo, era hora da expansão. A nova República e o time de General Severiano seguiram caminhos de vitórias. Começou a germinar a geração vitoriosa de Nilton Santos, chegado em 1948, e a de JK, já governador de Minas. Daí, só ascenção. Conquistas com Didi, Garrincha, Manga, Amarildo, e tantos outros. Desenvolvimento puro. No Brasil, também se fazia a marcha para frente. Anos áureos os 60. Titulos mil, finais como a de 1957, 6 a 2 nos tricolores, a de 1963 sobre o Flamengo, Garrincha fazendo a festa. Este paralelo é fácil, não precisa de grandes detalhes. E mais uma vez, o destino se mostrou preciso na comparação. O golpe militar que institui a “ditabranda” acontece no mesmo ano da aposentadoria de Nilton Santos, o maior símbolo alvingro. Porém a época de glórias seguiu mesmo que sem a mesma exuberância, a segunda geração no Botafogo ainda brilhava. Gerson, Jairzinho, Rogério e Caju. A Taça Brasil de 1968, conquistada no ano seguinte, foi último titulo dos anos vencedores do alvinegro.

Logo depois, 1969, a “ditabranda” brasileira apertou os parafusos. O pau começou a comer, a cobra a fumar e cuica a roncar. Época triste, muitas perdas. 21 anos de derrotas para os dois lados. Botafogo se desfez de General Severiano, de Marinho Chagas. O Brasil, dos direitos individuais, da liberdade do papo de chopp.
Também nas tristezas existem paralelos. Depois de tantas perdas, a vitória também chegou junto. 1989, primeiro titulo depois da seca para o alvinegro, também aconteceu o ano da primeira eleição presidencial direta depois dos anos de medo. A festa nas ruas foi preta, branca, verde e amarela. O Botafogo seguiu seu caminho de titulos, 1990, bi-carioca, 1993, mercosul. O Brasil se mostrou amadurecido, o primeiro presidente sofre impeachment, prova da força das instituiçoes. Cortar da própria carne dói, assim como foi doída a perda do campeonato brasileiro de 1992. A inflação continuava solta, por isso o Botafogo teve que esperar comemorar o titulo nacional. Em 1994, eleito FHC, o presidente que acaba com o fantasma da desvalorização.

Em 1995, o manequinho se veste de novo, campeão brasileiro com mérito. Seguiram os títulos de 1997, carioca e de 1998 Rio-São Paulo. Em 2002, o medo rondava terras brasilis. Nova crise surgiu ao horizonte, a desconfiança com a provável vitória de Lula. O metalurgico conseguiria comandar o Brasilzão? O Botafogo sentiu o medo e cai para a segunda divisão. Mas logo passou. O próximo ano já trouxe de volta a segurança, a ameaça de crise sumiu e o Botafogo voltou à primeira divisão. No entanto, urge reestruturar o clube e o país. Programas de redistribuição de renda criaram um país mais igual e nova administração tornou o clube mais sustentável. O Botafogo penou, mas conseguiu finalmente em 2006 o título carioca simbolo desse renascimento. Porém, um mal ainda assombra, a corrupção. O país sofre com mensalões, desvios de verbas, problemas sérios que parecem estar na raiz da alma brasileira. Os alvinegros também sofre com a corrupção. Fala-se da governabilidade e de chororô, fala-se que está perdido, aos homens bons aconselha-se fugir da política e do futebol.
Mas os alvinegros não ouvem. Insistem, sofrem com roubos escanrados, vão contra o mundo e apanham. Mas, como meninos do Largo dos Leões, são sonhadores natos.
Francisco de Andrade Figueira
Até o muro?
Lendo o excelente blog de cobertura do Botafogo, ibotafogo.com, me deparo com a notícia de que um muro da sede de General Severiano havia sido pintado de cinza. O tal muro em questão foi recentemente pintado em junho de 2009, sob iniciativa da emergente torcida organizada Loucos pelo Botafogo, com a bandeira do Botafogo. Esta iniciativa foi acompanhada da pintura de alguns muros do Engenhão também. Atitude louvável de uma das torcidas que mais faz em prol do Botafogo, apaixonados como todos nós mas ativos, sempre participando.
Eis que após o último protesto, encabeçado justamente pelo Rafael, presidente da Loucos que alugou um carro de som para protestar, a parede aparece pintada de cinza no dia seguinte. Mais curioso ainda é que apenas a parte onde estava pintada a bandeira foi coberta.
Óbviamente ainda não sabemos o porquê da pintura, mas não parece ser uma pintura geral. Me parece muito estranho a diretoria pintar o único muro com a bandeira do Botafogo logo após um protesto encabeçado pela grupo que pintou o tal muro. Mais uma prova de que as táticas dessa Diretoria não estão ajudando em nada e mais que nada, estão afastando o torcedor ainda mais.
Saudações



