2010
Futebol não é Supertrunfo

Foi épico! Uma saga digna de uma crônica do Armando Nogueira, o Homero Alvinegro. Com o título de ontem, o Glorioso deu uma surra moral nos jornalistas esportistas, metidos a videntes. Ter opinião até se exige de quem trabalha com notícias, mas expô-la exige cuidados extras. Não pode fazê-lo para simples e pura venda de jornais, mas sim para mostrar a sua dose de parcialidade. Também demos uma surra nos molambos, que se achavam capazes de ganhar a qualquer tempo e de qualquer modo. Ledo engano…
Somos CAMPEÕES justamente porque, como todo time do Joel, conseguimos mostrar por A + B que futebol não é supertrunfo: a definição de quem fatura o caneco não vai necessariamente para o lado de quem supostamente tem mais elenco, salários mais altos, é campeão nacional ou gosta de anões e jumentos. A única matemática que chega perto do futebol é que o jogo começa 11 contra 11.
Do contrário. A subjetividade de 22 jogadores é inerente ao futebol (vide o Santos de hoje ex-`quarta força` de São Paulo no início do ano) e é justamente aí aonde o Joel trabalha melhor. Ele sabe motivar e dar confiança aos jogadores. Sabe fazer um time jogar e sabe o que um time precisa para jogar bem. Na sua prancheta, leem-se roteiros e não esquemas. Tanto que ele, se desesperou ao final do jogo, quando se deu conta de que a tinha perdido.
O jogo de ontem foi uma prova de força coletiva que começou com a mobilização da Gloriosa Torcida, a gasolina aditivida da postura do time em campo. Um lateral era comemorado. Os combates se multiplicavam e as roubadas de bola eram incessantes. As estatísticas não negam: quando tinhamos 9 desarmes, os molambos ainda buscavam o seu primeiro.
Deus foi Deus, como lhe é habitual. Alessandro melhora a olhos vistos. O Trio de Zaga fez o que dele se espera: foi Compacto e Salvador, nas horas que mais precisamos. O `viado do Somália` deixou o Papai Joel e a Cachorrada orgulhosos e o Marcelo Cordeiro entendeu o conceito de elenco. Melhor para nós. Na meiuca, Leandro Guerreiro voltou ao seu jogo normal, apesar de estar jogando uma final e Renato Cajá e Tulio Souza de novidades: alguém esperava? Herrera foi ele mesmo versão final de campeonato: melhor só evitando a expulsão.
E o Loco? O que foi aquele pênalti, que transformou 11 metros em 1 maratona? Meu caro Abreu, pode costurar o escudo mais bonito do mundo na sua camisa da sorte. Ao escolher o Botafogo, os céus te mostraram o porquê e a resposta não está dificíl: o Glorioso é um clube de loucos e irreverentes, tais como Heleno, João Saldanha, Garrincha, Maurício, Marinho Chagas, Tulio e tantos outros. Teremos enorme prazer de ver ali a estrela solitária.
Enfim, a grande mágica do Papai Joel foi conseguir recuperar a confiança dos jogadores. Nisso ele é imbatível! E todos ali sabem jogar (o Alessandro já jogou com a canarinho!). Passaram por quinhentas peneiras e tiveram sucesso se tornando profissionais. Cabe, então, ao treinador, descobrir o esquema de jogo no qual ele obterá o melhor aproveitamento dos seus jogadores e, paralelamente e tão importante quanto, transmitir-lhes confiança para que possam executar cada tarefa sem erros, tal como o genial e humilhante pênalti do Loco.
De pior time do Campeonato, o Glorioso se tornou o Campeão, batendo todas as estrelas, surfistas, tatuados, funkeiros e aqueles que amarram mulheres em árvores. De quarta à primeira força, mostrando a todos que no futebol, uma vez Grande, basta acreditar e trabalhar inteligentemente. Como já escrito por aí: Yes, We Can!
Feliz Ano Novo
Meus caros, dou uma passadinha rápida por aqui somente para desejar a todos alvinegros um 2010 repleto de títulos.
Grande abraço,
Marcelo de Andrade Figueira

