jobson
Três pontos sobre um time sem pontas.
Já falaram do jogo por aqui e quem viu pode tirar conclusões próprias. Também não gostei, mas três coisas me impressionaram:
1- O frio de Teresópolis pede uma marvada para aquecer. A barriga do Joel parece que duplicou…
Brincadeiras a parte, não culpo ele, o time se perdeu sozinho.
2 – Menino Jobson entrou e fez uma jogada… mas uma jogada… Pegou a bola no meio de campo, foi prum lado, voltou, driblou uns cinco, invadiu a área e sofreu o penalti não marcado. Não para culpar o juiz, mas se aquela bola entra, o jogo era nosso. Com espaço, o menino mostrou a que veio. Depois ficou enfiado na ponta, e toda vez que dominava a redonda tinha alguém em cima.
3 – Eu realmente não entendo o que a torcida tem contra o Lúcio Flávio. Ou eu não sei nada de futebol, ou as pessoas tão de sacanagem. Tem gente que vai pro estádio xingar os outros, isso é comum, mas o Lúcio parece que tem Judas no nome. O cara não acabou com o jogo, mas é óbvio que o time joga com ou ao entorno dele. Ele é o ponto de gravidade, constrói o nosso meio de campo. Sem ele, o time virou duas linhas, uma na zaga e outra no ataque. Todo mundo enfiado, ninguém para distribuir, ninguém para organizar. Ele pode não ser essa coca-cola toda, mas meu deus, o cara é o mais importante, a referência em campo. Prefiro ele parado para que o Alessandro saiba para onde correr do que ele no banco e o time com 15 atacantes enfiados.
Pontas perdidos pelo tempo
Os clubes tem alma. Não simplesmente torcida, camisa e presidente, os grandes costumam ter um espírito. Os alemães dizem que cada época tem seu zeitgest, ou o espírito do seu tempo, e este seria o exemplo que representa toda aquela vida. Talvez baseado nisso, sempre acreditei que o time do Botafogo tivesse de se comportar segundo o espírito alvinegro.
Antes de tudo, jogar pelas pontas. Se o futebol moderno acabou com os pontas clássicos, pode-se ver o ressurgimento dos jogadores de efeito, além do simples corre-pra-linha-e-cruza (nada contra, Alessandro). E o Botafogo, não preciso nem dizer, foi um clube de grandes pontas, muito mais que cruzadores.
O Jorge Henrique foi o primeiro dos novos pontas. Não era nem atacante, mas verdadeiro lateral-esquerdo-ponta-direita. Contudo não se pode negar que ele foi o primeiro nos anos recentes a ocupar bem aquele espaço lateral. Depois que ele se foi, dois surgiram num mesmo ano: Jobson e Maicosuel. Os dois o mundo levou, um o dinheiro, outro as drogas.
E, no ano que corre, surge nova promessa. Dessa vez não é ponta, lamento dizer, mas meia-atacante que corre para dentro, drible fácil e pé de coelho. O Caio chegou a jogar no time do segundo tempo como ala direita, voltando para marcar, mas não como jogador que explora aquele espaço ao lado da área. Por isso, o talismã é ponta-de-lança e dos bons.
A volta dos novos pontas Magosuel e Jobshow, se confirmada, não significa simplesmente retorno de jogadores que levantam a torcida, mas também o retorno dos nossos pontas.
Bem-vindo de volta, espírito alvinegro.

