maicosuel

Pontas perdidos pelo tempo

Os clubes tem alma. Não simplesmente torcida, camisa e presidente, os grandes costumam ter um espírito. Os alemães dizem que cada época tem seu zeitgest, ou o espírito do seu tempo, e este seria o exemplo que representa toda aquela vida. Talvez baseado nisso, sempre acreditei que o time do Botafogo tivesse de se comportar segundo o espírito alvinegro.

Antes de tudo, jogar pelas pontas. Se o futebol moderno acabou com os pontas clássicos, pode-se ver o ressurgimento dos jogadores de efeito, além do simples corre-pra-linha-e-cruza (nada contra, Alessandro). E o Botafogo, não preciso nem dizer, foi um clube de grandes pontas, muito mais que cruzadores.

O Jorge Henrique foi o primeiro dos novos pontas. Não era nem atacante, mas verdadeiro lateral-esquerdo-ponta-direita. Contudo não se pode negar que ele foi o primeiro nos anos recentes a ocupar bem aquele espaço lateral. Depois que ele se foi, dois surgiram num mesmo ano: Jobson e Maicosuel. Os dois o mundo levou, um o dinheiro, outro as drogas.

E, no ano que corre, surge nova promessa. Dessa vez não é ponta, lamento dizer, mas meia-atacante que corre para dentro, drible fácil e pé de coelho. O Caio chegou a jogar no time do segundo tempo como ala direita, voltando para marcar, mas não como jogador que explora aquele espaço ao lado da área. Por isso, o talismã é ponta-de-lança e dos bons.

A volta dos novos pontas Magosuel e Jobshow, se confirmada, não significa simplesmente retorno de jogadores que levantam a torcida, mas também o retorno dos nossos pontas.

Bem-vindo de volta, espírito alvinegro.

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sexta-feira, abril 30th, 2010 Francisco Figueira 1 Comentário
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