“Locura” e a psiquê

E não é que nosso artilheiro desencantou? Foram logo 3 gols e todos de cabeça, a especialidade do hermano. Claro que contra o Resende, equipe que venceu apenas uma partida no primeiro turno, não podemos achar que está tudo resolvido.
O jogo foi bom, apesar do susto nos primeiros segundos de jogo (o Banana ainda tava abotoando o pijama). O Botafogo conseguiu virar, com tranquilidade, e mais que isso, achei que o time entrosou e pela primeira vez, fez jogadas trabalhadas, manteve controle do jogo, e ainda fez 5 gols. Poderiamos ter feito mais, não fosse a vontade do Loco de fazer o quarto gol (ele deixaria o Caio sozinho dentro do gol). Acho que foi um estímulo interessante pra entrar nas semifinais com ânimo renovado. Ainda tem muito trabalho pela frente (e o São Raimundo lá na quarta), mas estou esperançoso.
E agora vem o carma. Mais importante que pensar em vencer no campo, será vencer na cabeça. Os mulambos são o grande algoz dos ultimos anos (a arbitragem também, mas essa fica pra depois), e mais que traçar estratégias e ferrolhos pra ganharmos deles, teremos que trabalhar a cabeça, o emocional. Claro que muitos jogadores não participaram das derrotas anteriores, mas o Botafogo e principalmente sua torcida vem marcados com essa estigma de que contra o zurubú, não dá mais pra ganhar.
A torcida eles vai encher o lado de lá, isso é fato. E a nossa? Acredito que seremos menos de 1/3 ainda mais se o jogo for no Maior do Mundo. E essa áurea que ronda o Alvinegro, pode contagiar os mulambos e estes se apresentarem ao jogo ainda com suas fantasias da Sapucaí. É aí que entram nossos hermanos, que nada tem a ver com isso (e que fiquem longe da gandaia), e nos preparam uma “parillada” de zurubu. Loco Abreu tem que mostrar que é goleador contra o lado mal. Que seja por cima, por baixo ou pelo meio, quero ver a Bruna ir buscar umas 3 no fundo do barbante. Vão falar que ainda faltam 10 dias pro jogo, que o Botafogo ainda pega o São Raimundo, mas pra esse Botafoguense aqui, o jogo começou ontem ás 18:48 e vai ser longo ainda.
Emoções a vista, e coração angustiado até depois do Carnaval.
Saudações
Bandeira branca, amor.

Bandeira branca, amor
Não posso mais
Pela saudade que me invade
Eu peço paz
Se já é Carnaval no Rio, o Botafogo dançou no ritmo da marchinha de Dalva de Oliveira. O Glorioso pedia paz. Primeiro, a paz de vencer mais um jogo contra um pequeno, o que ocorreu com facilidade, apesar de um susto com menos de 30 segundos de jogo. Depois, a paz de se classificar para as semi-finais, já que era o único grande que ainda não tinha garantido a vaga. E, por fim, e talvez o principal, a paz entre time e torcida, o que era o mais difícil. Mas como é carnaval, tempo de alegria, a torcida parecia disposta a dar essa trégua, desde que o time desse motivos para tal. E assim o foi. O antes execrado Lúcio Flávio saiu de campo aplaudido e, ao final do jogo, o time inteiro agradeceu à torcida, reconciliação comandada pela malandragem de Joel Santana, que quer a cachorrada junto com o time.
Em campo, um jogo fácil. Está certo que o Boavista se aproveitou de uma pane geral no sistema defensivo do Botafogo e abriu o placar logo aos 24 segundos, mas logo em seguida, o Botafogo tomou conta do jogo. El Loco mostrou que é excelente no jogo aéreo e virou. A expulsão de Márcio Gomes, aquele mesmo que já jogou aqui, abriu o caminho para a goleada.
Se El Loco fosse tão bom com os pés quanto é com a cabeça, teria feito cinco. Os renegados Lúcio Flávio, Alessandro, Fahel e Eduardo vêm crescendo de produção gradativamente. Aliás, esse último parece estar se tornando o novo Toró de Joel Santana. A defesa jogou firme, fora a pane no primeiro gol e a molengada do Banana de Pijama no segundo. Marcelo Cordeiro apoiou muito bem e a avenida às suas costas diminuiu um pouco. Wellington Júnior entrou bem, mostrou raça e técnica, fez um gol e quase meteu outro, de cabeça. E o Caio se movimentou bem, mas exagerou e muito nas firulas. Mas tenho certeza que o Papai Joel vai puxar as orelhas do menino pra isso não se repetir.
Agora, o campeonato vai começar de verdade. E temos logo a mulambada pelo caminho. O fato de ser na quarta-feira de cinzas pode nos ajudar, já que o tal império do amor deve ir em busca de amor no carnaval.
A nós, cabe deixar de lado os traumas recentes e encher o Maraca, gritando e apoiando sem parar. Sem faixas pedindo pra jogadores irem embora ou vaias.
A paz é branca. E preta.
Vídeo da Semana #2
Nessa semana, vou colocar aqui o vídeo da despedida do Nilton Santos do Maraca, aos 39 anos. Numa tarde de domingo de dezembro de 1964, no jogo contra os molambos, nosso Ídolo Maior decidiu se despedir do Glorioso e, logo, dos campos de futebol.
O jogo, para nós, não valia nada e, para eles, o campeonato. Se empatassem, iriam para um triangular contra bangu e bambis. Perderam e, por isso, colocaram o rabo entre as pernas e assistiram a final entre os dois outros.
Como não nos interessava o jogo, parece que levamos a campo um escrete bastante jovem, recheado de garotos e reservas. Resultado: 1 x 0, com gol de Roberto Mendonça.
Taí o vídeo:
Tacadas #1
Tal como uma sinuca de bêbado, abaixo vão algumas tacadas a esmo sobre o jogo de hoje:
- o Lúcio Flávio jogou muita bola: apareceu para o jogo em quase todos os lances, sempre pelas pontas, dando opções aos demais, e coordenou o time, como sempre;
- o Herrera correu e ponto;
- a torcida é burra e não quer ver mais o jogo: só começou a vaiar o LF já na metade do 2º tempo, após uma falha, se não me engano, do Herrera, que deixou a bola passar para o Marcelo Cordeiro em uma virada do jogo do LF;
- o esquema com dois atacantes abertos tem que ser adotado na semifinal;
- O Marcelo Cordeiro fez um partidão lá na frente, com participação em três gols, e deixou, como sempre, uma auto-estrada nas suas costas: é meio-de campo, e não lateral.
- Quando Deus (Jefferson) voltará a ser Deus??
- o time já está ganhando a cara do Joel e marcando um pouco melhor.
Alvinegros verdes e amarelos
Dando sequencia a nossa série de colaborações, segue um post do Francisco de Andrade Figueira, irmão do nosso ilustre companheiro de blog Marcelo. Um texto longo porém inteligente que resgata todo nosso orgulho de ser alvinegro.
Nota: A Aliança Alvinegra não se responsabiliza pelo conteúdo dos posts de colaboradores. São posts que achamos interessantes, relacionados ao blog e que representam a voz de nossos usuários. Os textos postados são publicados na íntegra, sem qualquer edição. As opiniões postadas são de exclusiva responsabilidade do autor e nem sempre refletem a opinião da Aliança Alvinegra.
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Os sociólogos usam uma expressão curiosa para designar um dogma, algo que sustenta toda uma fé, o “mito fundador”. Este teria a função de basear todo um conhecimento, uma união, um sentimento ou uma aceitação. Este não teria função prática, e só a teria. Se tornaria inalcançavel por ser verdade, e verdade por ser inalcançavel. Pensando nessa expressão, reflito sobre os times. Muitos dos torcedores se legitimam por números. “Torço para o clube X porque é o que tem mais títulos” ou “Só serve o time Y porque é o que tem mais torcida”. Engano, eles torcem por outros motivos, ligações familiares, amigos que influenciaram, mas o mito fundador serve exatamente para justificar, dar certeza.
Então me pergunto, qual o mito fundador do Botafogo? Se são gloriosos os alvinegros, por quê os são? Muitos justificam na ponte que parecia existir até alguns anos entre General Severiano e a Granja Commary, outros em times da década de 60. Nunca quis isso. Para mim, Botafogo não é número, é sentimento. Quanto mais eu penso, mais eu vejo que, por não querer números, percebo maior ainda a grandeza da camisa alvinegra. Lembrei-me outro dia de uma curiosa história que uma vez vi num texto de João Moreira Salles, salvo engano, e duvido que tenha acontecido entre algum outro escrete. Na verdade, são duas histórias paralelas, que se encaixam tão perfeitamente que parecem obra do divino. O Brasil e o Botafogo.
Nascido em 1898, o Botafogo de Regatas olhava para o Atlântico. Passeava pela Baía de Guanabara e voltava. Este era o Brasil elitista, sempre se esquecendo do seu interior, sempre olhando para o outro lado do mar. E, vizinhos e coabitantes, existiam outras metades. O Brasil do interior nascia da necessidade um sonho, de uma luta contra a fauna e a flora desconhecidas, a necessidade de sobreviver. O Botafogo Football Club também nasceu de um sonho, da vontade de jogar bola, de meninos que criaram um club sério feito para brincadeiras. As duas histórias começaram parecidas e assim continuaram. Os meninos, sonhadores natos, criaram logo uma equipe vencedora.

Em 1910, já tinham a alcunha de Gloriosos, e em 1911 compraram uma briga com gente muito maior. Sairam da Liga Metropolitana, viveram de amistosos. Na mesma época, o Brasil de dentro se revoltava. Pela primeira vez desde o início da política do Café com leite, a troca entre mineiros e paulistas era quebrada. Os paulistas e os cariocas apoiavam Rui Barbosa, candidato de elite, famoso intelectual. O Brasil de dentro apoiava o marechal Hermes da Fonseca. Pior para os cariocas, ganhou o militar que tinha como vice Venceslau Braz, nome da rua que passa pela nossa sede. Logo, porém, o Brasil de dentro também comprou brigas, veio a Revolta da Chibata, pois o militar não fazia valer seu compromisso com seus eleitores. Para piorar, Fonseca fez aliança com Pinheiro Machado, hoje rua que leva aos tricolores, para governar o país. Forçou interventores militares em alguns estados, endividou mais o país. Assim como o Botafogo de Football, o Brasil de dentro queria seriedade. Teve que esperar mais tempo.
Veio a década de 20, perdida para o Football e para o de dentro. Era a preparação para algo muito maior, a grande mudança. 1930. A revolução. Brasil conseguiu acabar com o elitismo de paulistas e mineiros, assumiu uma nova ordem o presidente salvador, Getulio Vargas. Enquanto isso, nos campos, o Botafogo de Football fazia história, o primeiro e único clube carioca a ser tetracampeão estadual. Tetra de verdade, seguido. Seguiu-se um longo periodo de vitorias. Chegou a nova estrela, Heleno de Freitas. Getulio uniu elites, operariado urbano e burguesia num acordo de mestre, em prol do desenvolvimento da nação. Também nessa época os Botafogos se uniram. Criado o Botafogo de Futebol e Regatas. País e clube com um só corpo, mas não com uma só voz. Assim como a que ocupava o Palácio do Catete, a estrela galanteadora brilhava demais. Com ela em campo, o alvinegro conquistou vitórias inesquecíveis, o jogo do senta no Flamengo, golaços no Fluminense, mas ela ofuscava a verdadeira estrela solitária. Não conseguiu titulo por culpa do craque. Getulio também se provou brilhar demais. Tornou-se ditador e salvador, fez as reformas estruturais, mas também não admitia outros brilhos. Flertou com o integralismo, como Heleno flertava com o Fluminense, mas abandonou a traição antes de se comprometer, como Heleno e os tricolores. A situação era insustentável, General Severiano teve que se desfazer de Heleno, mandado a Buenos Aires, mas não sem lagrimas no aeroporto. Também o Catete se desfez de Getulio, enviando-o para os pampas cuidar de seu gado.

Nascido os novos Brasil e Botafogo, era hora da expansão. A nova República e o time de General Severiano seguiram caminhos de vitórias. Começou a germinar a geração vitoriosa de Nilton Santos, chegado em 1948, e a de JK, já governador de Minas. Daí, só ascenção. Conquistas com Didi, Garrincha, Manga, Amarildo, e tantos outros. Desenvolvimento puro. No Brasil, também se fazia a marcha para frente. Anos áureos os 60. Titulos mil, finais como a de 1957, 6 a 2 nos tricolores, a de 1963 sobre o Flamengo, Garrincha fazendo a festa. Este paralelo é fácil, não precisa de grandes detalhes. E mais uma vez, o destino se mostrou preciso na comparação. O golpe militar que institui a “ditabranda” acontece no mesmo ano da aposentadoria de Nilton Santos, o maior símbolo alvingro. Porém a época de glórias seguiu mesmo que sem a mesma exuberância, a segunda geração no Botafogo ainda brilhava. Gerson, Jairzinho, Rogério e Caju. A Taça Brasil de 1968, conquistada no ano seguinte, foi último titulo dos anos vencedores do alvinegro.

Logo depois, 1969, a “ditabranda” brasileira apertou os parafusos. O pau começou a comer, a cobra a fumar e cuica a roncar. Época triste, muitas perdas. 21 anos de derrotas para os dois lados. Botafogo se desfez de General Severiano, de Marinho Chagas. O Brasil, dos direitos individuais, da liberdade do papo de chopp.
Também nas tristezas existem paralelos. Depois de tantas perdas, a vitória também chegou junto. 1989, primeiro titulo depois da seca para o alvinegro, também aconteceu o ano da primeira eleição presidencial direta depois dos anos de medo. A festa nas ruas foi preta, branca, verde e amarela. O Botafogo seguiu seu caminho de titulos, 1990, bi-carioca, 1993, mercosul. O Brasil se mostrou amadurecido, o primeiro presidente sofre impeachment, prova da força das instituiçoes. Cortar da própria carne dói, assim como foi doída a perda do campeonato brasileiro de 1992. A inflação continuava solta, por isso o Botafogo teve que esperar comemorar o titulo nacional. Em 1994, eleito FHC, o presidente que acaba com o fantasma da desvalorização.

Em 1995, o manequinho se veste de novo, campeão brasileiro com mérito. Seguiram os títulos de 1997, carioca e de 1998 Rio-São Paulo. Em 2002, o medo rondava terras brasilis. Nova crise surgiu ao horizonte, a desconfiança com a provável vitória de Lula. O metalurgico conseguiria comandar o Brasilzão? O Botafogo sentiu o medo e cai para a segunda divisão. Mas logo passou. O próximo ano já trouxe de volta a segurança, a ameaça de crise sumiu e o Botafogo voltou à primeira divisão. No entanto, urge reestruturar o clube e o país. Programas de redistribuição de renda criaram um país mais igual e nova administração tornou o clube mais sustentável. O Botafogo penou, mas conseguiu finalmente em 2006 o título carioca simbolo desse renascimento. Porém, um mal ainda assombra, a corrupção. O país sofre com mensalões, desvios de verbas, problemas sérios que parecem estar na raiz da alma brasileira. Os alvinegros também sofre com a corrupção. Fala-se da governabilidade e de chororô, fala-se que está perdido, aos homens bons aconselha-se fugir da política e do futebol.
Mas os alvinegros não ouvem. Insistem, sofrem com roubos escanrados, vão contra o mundo e apanham. Mas, como meninos do Largo dos Leões, são sonhadores natos.
Francisco de Andrade Figueira
Até o muro?
Lendo o excelente blog de cobertura do Botafogo, ibotafogo.com, me deparo com a notícia de que um muro da sede de General Severiano havia sido pintado de cinza. O tal muro em questão foi recentemente pintado em junho de 2009, sob iniciativa da emergente torcida organizada Loucos pelo Botafogo, com a bandeira do Botafogo. Esta iniciativa foi acompanhada da pintura de alguns muros do Engenhão também. Atitude louvável de uma das torcidas que mais faz em prol do Botafogo, apaixonados como todos nós mas ativos, sempre participando.
Eis que após o último protesto, encabeçado justamente pelo Rafael, presidente da Loucos que alugou um carro de som para protestar, a parede aparece pintada de cinza no dia seguinte. Mais curioso ainda é que apenas a parte onde estava pintada a bandeira foi coberta.
Óbviamente ainda não sabemos o porquê da pintura, mas não parece ser uma pintura geral. Me parece muito estranho a diretoria pintar o único muro com a bandeira do Botafogo logo após um protesto encabeçado pela grupo que pintou o tal muro. Mais uma prova de que as táticas dessa Diretoria não estão ajudando em nada e mais que nada, estão afastando o torcedor ainda mais.
Saudações



